PRF confirma ter usado gás lacrimogênio durante abordagem, mas diz que vítima morreu de mal súbito

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A Polícia Rodoviária Federal informou que os agentes envolvidos na morte de Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, utilizaram spray de pimenta e gás lacrimogêneo. Na tarde da última quarta-feira (25), policiais prenderam Genivaldo no porta-malas de uma viatura durante uma abordagem no município de Umbaúba, no sul do estado de Sergipe, a cerca de 100 km de Aracaju.

As imagens viralizaram nas redes sociais e somente nesta quinta (26) a PRF confirmou o uso do gás e do spray mas, em seu boletim, declarou que a vítima faleceu “possivelmente devido a um mal súbito”.

Genivaldo sofria de esquizofrenia, era aposentado, em virtude do transtorno, casado e tinha um filho de oito anos. O laudo inicial do Instituto Médico Legal confirmou o óbito por asfixia e insuficiência respiratória. 

A abordagem que resultou na morte de Genivaldo aconteceu quando ele pilotava uma motocicleta.

“Eu estava próximo e vi tudo. Informei aos agentes que o meu tio tinha transtorno mental. Eles pediram para que ele levantasse as mãos e encontraram no bolso dele cartelas de medicamentos. Meu tio ficou nervoso e perguntou o que tinha feito. Eu pedi que ele se acalmasse e que me ouvisse, foi quando o policial chamou reforço”, contou Wallison de Jesus, sobrinho da vítima que viu o momento da abordagem.

Homem morre após ser ser colocado em porta-malas de viatura da PRF e aspirar fumaça em SE

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Segundo Wallyson, outros dois policiais chegaram e iniciaram o que o sobrinho chamou de “sessão de tortura.”

“Pegaram ele pelos braços e pelas pernas. Quiseram colocar algemas nos pé dele, mas não coube e pegaram uma fita lá dentro e amarraram nele. Começaram a pisar nele e depois de tudo isso ocorrido, eles pegaram meu tio, colocaram na viatura e colocaram uma granada daquela de gás”, relata o sobrinho da vítima.

As imagens mostram dois policiais segurando Genivaldo dentro da viatura, com as pernas pra fora.

“A viatura cheia de gás lacrimogêneo lá dentro e ele no porta malas, foi quando a população não aguentou que estava todo mundo vendo aquilo e começaram a gravar”, relata.

A família diz que ele chegou sem vida ao hospital, que afirma ter tentado manobras para reanimá-lo.

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