Ex-PM exalta violência em curso preparatório para futuros policiais

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Evandro Guedes serviu a Polícia Militar do Rio de Janeiro entre 1998 e 2007 – Foto: Universa

Um professor da plataforma de cursos on line, Alfacon, deu uma aula de violência na última quinta feira (9). Segundo Evandro Bittencourt Guedes, ex-policial militar e  fundador da plataforma, ele “agredia homens, mulheres, velhos, crianças e adolescentes”, além de torcedores de futebol “favelados”, a qual se refere como “crioulada”, quando ainda era policial militar no Rio de Janeiro. 

O vídeo foi transmitido ao vivo e publicado por entidades e grupos de direitos humanos e de igualdade racial. Todos repudiaram a atitude e os comentários. No trecho, ele responde a dúvidas sobre o ingresso na Polícia Rodoviária Federal (PRF). “Me perguntam: ‘Já bateu em muita gente?’ Já, inclusive nas putas. Entrava e todo mundo tomava borracha. Você era violento na Polícia Militar? Muito violento. Evandro, você já pegou dinheiro? Dinheiro, não. Sou honesto para caramba, mas porrada sobrou. Homens, mulheres, velhos, crianças e adolescentes”, afirmou.

No vídeo, o ex-PM diz que “já bateu em mutia gente” – Vídeo: Redes sociais

Contestado

Em entrevista ao site Universa, a Major Denice Santiago, da Polícia Militar da Bahia, foi enfática ao repudiar a atitude do professor e o que é oferecido no curso. “Não há no currículo de curso de formação nada que ensine a nenhum policial, militar, civil, federal, penitenciário ou rodoviário a bater. Não há”, avaliou. 

Falas Racistas

O ex-policial disse também que já agrediu “um favelado” que teria lançado uma lata com urina contra ele durante uma partida de futebol entre Flamengo e Fluminense, quando ainda o professor ainda era PM. “Porra, mijo de favelado. Aquela crioulada, todo mundo rindo”, disse em tom de deboche. ainda segundo ele, um capitão teria dado a ordem para bater. “Foi o primeiro ato de execução de maldade e crueldade que eu fiz”, disse e continuou. “Ali eu descobri que gosto de bater nas pessoas”.

Segundo a Major, as falas utilizadas durante o vídeo também são consideradas racistas. “Quando ouvimos a palavra ‘favelado’ que imagem nos veio a mente? Uma representação social que faz com que analisemos e acreditemos que as pessoas que moram naqueles locais são feias, sujas, marginais, pouco instruídas. Uma série de adjetivos genéricos e perigosos”, finalizou. 

Plataforma do ódio

A plataforma Alfacon é a mesma que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendeu que “para fechar o STF, basta um soldado e um cabo”, em 2018. Além disso, outros professores do curso também já defenderam a tortura de suspeitos. 

Polícia Militar se defende

Em nota enviada à Ponte Jornalismo, a assessoria da Secretaria de Estado da Polícia Militar do Rio de Janeiro informou que o palestrante serviu na corporação de 1998 a 2007 e afirma que: “A mensagem do vídeo, de cunho comercial, não condiz com as diretrizes adotadas pela instituição”. Até o fechamento desta matéria, a plataforma Alfacon não havia se pronunciado sobre o conteúdo do curso ou dos vídeos publicados. 

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor e coordenador regional do Notícia Preta

4 Comments

  • osfulanosgames

    (14/10/2020 - 12:26)

    Vao se fuder seus merdas, mimizentos do krl, vai faze algo uitl ao invez de distorcer oq uma boa alma fala, filho da puta

    • Eu sei que vc é fake, mas faço questão de responder.
      “Invés”, se escreve com S e não com Z. Útil escreve desse jeito e não “uitl”. Fazer é um verbo no infinitivo e leva R no final. Parabéns, vc escreveu “distorcer” de forma certa. É isso, viu! Rsrs

  • Senhores candidatos, se o senhores obtiverem êxito nas provas objetivas e discursivas,com certeza serão eliminados nos psicotestes!!!

  • Por aí, se mete o nível dos candidatos deles.

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