“Estava evoluindo e sonhando com as Olimpíadas, mas a pandemia embaralhou tudo”, conta Diego Moraes que tenta conciliar treinos do karatê com o jornalismo

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Diego Moraes sempre teve a dura missão de unir a rotina de jornalista com os treinos de karatê. É assim desde 2016, quando decidiu voltar a lutar, após 11 anos afastado do esporte. Em junho do ano passado, em entrevista ao Portal Notícia Preta, contou sobre a representatividade de ser o primeiro repórter esportivo negro da Globo, da sua pausa na carreira de atleta e, sobretudo, da sua preparação para conseguir a classificação para as Olimpíadas que seria disputada este ano, no Japão. Seria. Foi adiada por conta da pandemia do novo coronavírus. Agora, será disputada em julho de 2021. 

”Vou ter que esperar um pouco mais para alcançar esse objetivo. Estava evoluindo e sonhando com as Olimpíadas, mas a pandemia embaralhou tudo. Hoje, eu estou fora da classificação olímpica e vivo na incerteza se haverão competições que possam me dar os pontos que preciso para alcançar uma vaga”, comentou o atleta, que teve dois eventos classificatórios cancelados este ano – um em Marrocos e outro em Madrid.

Diego Moraes durante gravação da Série “Diego San” para o Esporte Espetacular da TV Globo

Diego, 31 anos, que antes da pandemia, vinha treinando diariamente e participando de competições a cada 15 dias, agora, vive um momento totalmente diferente. Sem local para praticar o esporte por conta do isolamento social e precisando dar prioridade ao seu trabalho como jornalista, teve que desacelerar.

“O ritmo é outro. Esse mês eu só treinei três dias e foram treinos muito leves – de alongamento, de corrida – que fiz para não ficar totalmente parado. Muitos atletas moram em casas e ainda têm o quintal para treinar, mas eu moro dentro de um apartamento, não posso jogar os pesos no chão, por exemplo, então, é tudo mais complicado. Além disso, estou ainda tentando conciliar o trabalho aos treinos. Por conta da pandemia, o jornalismo tem exigido muito mais de mim. E hoje sobrevivo do jornalismo e não do karatê. Preciso me dedicar ao trabalho’, comentou.

Durante a pandemia, Diego Moraes entrou no quadro de repórteres da Globonews. Foto: reprodução/ Globonews

Durante a pandemia, Diego deixou o noticiário esportivo e está dando um suporte ao ”hard news” na reportagem da Globonews. E, por conta das mudanças, reconhece que os seus adversários estão na frente na corrida por uma vaga nas Olimpíadas.

“Perdi muita massa muscular sem treinar. Estou mais fraco fisicamente, mas, a partir desta semana vou tentar começar um treinamento online, com preparador físico e alguns atletas brasileiros, não sei como vai funcionar anida. Mas, em países como Japão e Azerbaijão, por exemplo, os atletas estão confinados e treinando juntos. Os países conseguiram juntar esses atletas desde a pandemia e mantê-los nos clubes treinando”. 

Apesar disso, Diego não abre mão do sonho, vive a expectativa de voltar a treinar para tentar a vaga nas olimpíadas do ano que vem.

“Nunca foi fácil pra mim. Estou me organizando no trabalho e vou voltar aos treinos. Acredito que posso conseguir essa vaga. Torço para que venham competições classificatórias e eu some pontos. Jamais desistirei”, finalizou o atleta, que em dois anos saiu da posição 536° para a 73° do mundo e no Brasil pulou da colocação 0° e tornou-se o n°1 do país em sua categoria.

Diego Moraes é jornalista esportivo na Globo Rio.
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Thiago Augustto

Um filho negro adotado. Thiago Augustto faz questão de marcar sua existência pela raça e pela oportunidade de viver. Transformou o tabu da adoção num grande motivo de orgulho. É criador de conteúdo e palestrante. Se formou em jornalismo em 2014, desde então, trabalha na TV Globo Recife, atuando como produtor e repórter. No Notícia Preta, é editor e coordena os colaboradores das regiões norte e nordeste. Em 2021, criou o Futuro Black - um banco de talentos e de fontes profissionais pretas.

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