Rainha de bateria afirma: “É muito escasso ter mulheres pretas no posto”

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Egili Oliveira Foto: Daniel Pinheiro

Egili Oliveira será primeira rainha de bateria a pisar na Marquês de Sapucaí pelo Acadêmicos de Vigário Geral no Carnaval de 2020. Ela será uma das poucas mulheres pretas a frente de um cargo tão cobiçado na Avenida. Para se ter uma ideia, no Grupo principal dos Desfiles das escolas de samba apenas três negras vão reinar à  frente dos ritmistas no ano que vem: Evelyn Bastos pela Mangueira, Rayssa Oliveira pela Beija- Flor e Bianca Monteiro pela Portela, considerando que são 13 agremiações no total.

“Hoje em dia é muito escasso ter mulheres pretas nesse posto no Carnaval. Mas a comunidade está feliz com certeza em ver uma preta brilhando no Carnaval e que venham outras também.”, destaca a rainha.

Ja entre as 14 agremiações do Grupo de Acesso, além de Egili se  destacam  Dandara Oliveira pela Renascer de Jacarepaguá, Quitéria Chagas pelo Império Serrano, Kamilla Reis pelo Porto da Pedra, Marianne Hipólito pelo Acadêmicos do Cubango.  Mas na opinião de muitos amantes do samba, é justo que as escolas tenham mais negras em lugar de destaque ao invés das brancas, uma vez que a festa surgiu em comunidades negras do início do século passado. E a Egili é prova viva disso.

Ela já viajou para diferentes países como Inglaterra, Estados Unidos e Suécia oferecendo aulas de samba. Mas no ano que vem, a sambista, que começou como passista do Salgueiro, revela que está feliz com o convite e pretende mostrar na Avenida o poder da mulher de 40. 

“Estou muito honrada pelo convite feito pela Vigário Geral e quero muito participar ativamente deste processo de crescimento da escola. Chegar ao maior palco de desfiles do mundo foi só o primeiro passo, agora vamos trabalhar para que a Vigário represente com muita propriedade esta comunidade tão guerreira. Sei que vamos surpreender muita gente”, disse a rainha.  

Egili conta que a ligação com o samba vem de família desde os quatro anos de idade.

“Sempre na época do carnaval, minha avó Maria José da Conceição juntava os netos e ensinava a sambar. Eu tinha uma tia que desfilava no carnaval, ela era passista e eu sempre quis ser igual a ela”, revela a musa.

Além da tia, a avó que ensinou Egili a sambar já integrou a comissão de frente da Unidos do Bem Amado, em Niterói, e o avô foi mestre-sala da mesma escola.

“Minha avó é baiana, então o samba é uma coisa tradicional da gente. E tem que ser passado de geração para geração. O samba é sempre foi em primeiro lugar na minha família, é a nossa raiz. “, finaliza Egili.

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Wellington Andrade

Jornalista formado pela FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso) e pedagogo pela UERJ. Atualmente escreve para o Portal Notícia Preta e atua no segmento de assessoria de imprensa em parceria com a agência Angel Comunicação. Possui passagens por diferentes veículos como repórter, produtor e apurador, dentre eles TVs Record, SBT e Rede Vida de Televisão, além das rádios Bicuda FM, Nativa FM, Tupi AM e FM, Revista Ziriguidum Nota 10 e no portal especializado em Carnaval SRZD, do jornalista Sidney Rezende. Instagram: @reporterwellingtonandrade

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