Moradores de comunidades do Rio temem mais milícias do que tráfico, aponta pesquisa

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Atualmente no Rio de Janeiro 2 milhões de pessoas vivem em áreas sob influência de milícias, grupos armados formados por ex policiais e militares. Estes grupos paramilitares, que já ocupam 37 bairros e 165 favelas da Região Metropolitana do Rio, são vistos como a principal ameaça por 29% dos cariocas que vivem em comunidades. É o que revela uma pesquisa feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Datafolha.

Uma moradora da Vila do João,  uma das favelas do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, que por motivo de segurança preferimos não divulgar seu nome, conta temer a milícia e suas execuções sumárias: “ Moro numa área dominada por um grupo específico de civis armados, que normalmente são o que chamamos de “crias’ da comunidade, pessoas que nasceram aqui e têm respeito pela favela. Não defendo eles, mas eles respeitam mais os moradores, diferente das áreas de milicianos. A milícia é composta por ex policiais militares, bombeiros, militares e por todo o braço do estado. Por isso o grande medo pois, eles não respeitam os moradores”, conta.

Em 2008 as milícias estavam em 161 favelas na Região Metropolitana. Dez anos mais tarde estas quadrilhas expandiram sua atuação para 37 bairros inteiros, além de estar em mais 165 favelas isoladas.

A pesquisa perguntou aos entrevistados se eles tinham mais medo de milícias, do tráfico de drogas, da polícia ou de todos em igual medida. No caso dos moradores de comunidades, os milicianos foram citados por 29% dos ouvidos, eles aparecem numericamente à frente dos traficantes. Pagos para garantir a segurança da população, os policiais são as figuras mais temidas por 19% dos moradores de comunidades. Enquanto isso, 21% dos entrevistados dizem temer todos os citados igualmente.

O medo maior dos favelados quando a milícia entra é ter uma execução com permissão.  Autorização do braço armado do estado

Hoje a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras, segundo dados do Atlas da Violência 2017. O maior medo dos moradores é de que esse numero aumente ainda mais e que as milícias executem sumariamente a população local que é majoritariamente negra: “As milícias chegam, tomam conta do lugar e executam quem estiver na frente. Sem pensar. Por isso o medo é tão grande. O medo maior dos favelados quando a milícia entra é ter uma execução com permissão.  Autorização do braço armado do estado”, explica a moradora não por motivos de segurança não será identificada.

A pesquisa também revela que os tiroteios fazem parte do cotidiano da maioria dos moradores do Rio. Três em cada quatro dos entrevistados relataram ter ouvido trocas de tiros nos últimos 12 meses, enquanto 29% deles disseram ter ficado no meio do fogo cruzado, no mesmo período.

A pesquisa divulgada nesta segunda-feira (18) entrevistou 843 pessoas na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 23 e 25 de janeiro.

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1 Comment

  • Alcydinei Theodoro dos Santos Ney Santos

    (19/02/2019 - 08:38)

    Não sei onde isso vai parar ou, se vai parar, pois não vejo nenhuma saída que possa assegurar a proteção as pessoas de bem, a sociedade de um modo geral. Violência, violência e violência, essas são as matérias televisivas uma verdadeira lavagem celebral está inadimicível hoje ligar a TV para asistir uma reportagem. A pergunta como descontaminar e harmonizar o que estamos vivenciando?

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