“Pra atrair a periferia é preciso tirar o lado vaidoso que o veganismo tem”

Co-autor da página Vegano Periférico, Leonardo Santos desconstrói a ideia de que “veganismo é coisa de rico” e procura apresentar novas perspectivas à periferia

Os irmãos Leonardo e Eduardo Santos, moradores da periferia de Campinas, adotaram o veganismo aos 20 e 18 anos, respectivamente. Veganismo é o nome dado ao movimento que prega o respeito aos direitos dos animais. Além de veganos não comerem carne, também não ingerem nada de origem animal, tal como leite e ovo. A mudança nos hábitos alimentares, além de reduzir os impactos causados aos animais, fez com que ambos percebessem o quanto gastavam com carne e derivados do leite. Hoje, Leonardo gasta cerca de 280 reais por mês com a compra de frutas, legumes e verduras, e observa o quanto a periferia perde por não ter acesso a informações sobre o veganismo “Quem não tem dinheiro tem que pensar na sobrevivência. A maior parte da população vem da periferia e com esse apoio o movimento cresceria mais, as pessoas economizariam e os animais sofreriam menos”, afirma.

Segundo o IBGE, 7,72 milhões de bovinos e 1,48 bilhão de frangos foram abatidos no primeiro trimestre de 2018. Por outro lado, houve aumento de 8% para 14% de vegetarianos no Brasil e existem 5 milhões de veganos, de acordo com o IBOPE.  Apesar do crescimento no número de adeptos, Leonardo afirma que o movimento perde por conta do elitismo reafirmado em eventos veganos “São eventos direcionados pra uma classe que tem dinheiro. Palestras caríssimas e produtos caríssimos em lugares chiques. É tudo uma questão de quem está pensando no negócio. Se as pessoas fizessem em um lugar mais simples e cobrassem mais barato seria muito mais acessível, mas ainda é super elitizado”, concluiu.

Vamos encostar no role sem ter a prepotência de mudar nada, só vamo encostar”.

Com essas palavras, os irmãos incentivam os 143 mil seguidores a conversarem com não-veganos a fim de que mais pessoas sejam recrutadas para a causa. Fugir de bordões e críticas vazias é o que Leonardo tenta fazer diariamente, tanto com sua família quanto com os demais públicos. A mudança para o veganismo foi entendida pelos familiares como uma fase e houve impacto na relação com os amigos “No começo meus amigos faziam cara de deboche e minha família também, falavam que era moda. Hoje, por mais que ainda tenham um pouco de ignorância sobre esse assunto, eles apoiam.”

“Meu prato é político”

“Você escolher o que vai comer, ser uma coisa barata que vai trazer benefícios sem ter crueldade com os animais é um ato político”. Apesar da riqueza atrelada ao veganismo, é possível mudar os hábitos alimentares a baixo custo. Final de feira, dia de promoção em horti fruti e sacolão são algumas formas de economia, já que comprar em mercado geralmente custa mais.

O arroz e feijão são a base dos cardápios. Dos mais diversos alimentos de origem vegetal, cabe ao consumidor- que tem acesso à informação- escolher a alimento sem estar condicionado à indústria milionária que, diariamente, abate e testa produtos em diversos animais.

Ana Paula Souza

Estudante de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e trabalha como jornalista da Agência Narra, cuja sede é o Observatório de Favelas.

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