Ministério Público do Trabalho pede afastamento de Sérgio Camargo da presidência da Fundação Palmares

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Após denúncias de assédio moral e perseguição política e ideológica feitas por instituições do Movimento Negro, o Ministério Público do Trabalho pediu a cassação de Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares. As denúncias foram divulgadas em primeira mão pelo Fantástico, neste domingo (29).

Segundo as denúncias, Sérgio Camargo instaurou um clima de terror psicológico entre os funcionários da Fundação Palmares e pedia para que eles denunciassem os que ele classifica como “esquerdistas”. Os casos de assédio eram ainda piores aos funcionários negros, segundo as denúncias que revelam escutas telefônicas onde Camargo chama os movimentos negros de “escória maldita”.

A Fundação Cultural Palmares foi criada em 1988, no bojo das lutas por democratização da sociedade brasileira que desembocaram na Constituição Cidadã. Nas palavras de Sueli Carneiro a Fundação “faz parte das conquistas dos movimentos negros e movimentos de mulheres que criminalizaram o racismo, destituíram o pátrio poder, legitimaram iniciativas de ações afirmativas para grupos historicamente discriminados e ofertaram reconhecimento das terras dos remanescentes das comunidades dos quilombos. Conquistas que esse governo se esforça em destruir”, disse a filósofa e ativista em entrevista recente ao jornal O Globo.

Em novembro de 2020, uma portaria assinada por Sérgio Camargo mudou as regras para a seleção e publicação dos nomes e biografias das personalidades negras notáveis no site da entidade. Uma das alterações é que a lista passará a fazer apenas homenagens póstumas, ou seja, vai conter somente nomes de personalidades já mortas. Isso deve levar à exclusão da galeria de nomes como os dos cantores Gilberto Gil, Elza Soares e Martinho da Vila,o primeiro medalhista do boxe brasileiro, Servílio de Oliveira, entre outros.

Em entrevista ao Fantástico Servílio, Bronze nos Jogos de 1968, conta que entrou na Justiça e conseguiu rever a decisão e criticou a atitude do presidente da Fundação: “Isso é para apagar a nossa memória. Nossas histórias podem servir de espelho para as futuras gerações”.

A atriz Zezé Mota, que também foi excluída da lista também falou sobre a preocupação com as futuras gerações: “Essas histórias não podem ser apagadas, nem o que essas pessoas fizeram. Quando uma criança negra vê um negro que deu certo ela pensa: eu também posso. Isso é um estímulo”, declarou a atriz.

investigado por assédio moral

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Segundo um ex-diretor da Fundação Palmares, Sérgio Camargo ri das acusações e dos mais de 30 processos aos quais responde. Ao invés de presidir a Fundação, Camargo passa seu tempo caçando funcionários que ele classifica como ‘esquerdista’, segundo a denúncia do ex-diretor.

Ainda segundo relatos de funcionário, Sérgio Camargo tem certeza da impunidade devido sua relação com o presidente Jair Bolsonaro: “Sou apoiado por Bolsonaro e nada vai acontecer comigo”, diz Camargo de acordo com os relatos.

Além do afastamento de Sérgio Camagro, o Ministério Público do Trabalho (MPT) pede indenização no valor de R$ 200 mil por danos morais.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

1 Comment

  • Alcides de Lima

    (31/08/2021 - 03:18)

    tivemos e sempre teremos capitão do mato, brancos e negros, mas a chibatada do capitão do mato negro não doe somente na pele, mas sim em toda sua espiritualidade e ancestralidade, foi uma tática muito usada no período escravocrata, um irmão negro a mando do senhor castigar outro negro, é o que está fazendo com muita propriedade esse sujeito dito presidente da Fundação Palmares, ele e seu sinhozinho passarão, a entidade permanecerão!

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