”É um acontecimento histórico para a música brasileira. São três gerações de artistas negros”, conta pianista Amaro Freitas, que se juntou a Criolo e Milton Nascimento e ressignificou ”Não Existe Amor em SP”

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Um encontro entre três gerações de artistas negros marcou o lançamento da releitura da música ”Não Existe Amor em SP”. O pianista Amaro Freitas, de 28 anos, foi convidado por Criolo, 44 anos, e Milton Nascimento, 77 anos, para dar novo sentido ao vazio de São Paulo. A obra é a primeira amostra do EP ”Existe Amor”, que será divulgado em maio com quatro faixas.

”É um acontecimento histórico para a música brasileira. É o encontro entre três gerações de artistas negros, que acontece por conta da arte. Um encontro onde cada um trouxe a sua arte. Um encontro histórico para a representatividade negra com o sucesso de cada artista com seu trabalho”, contou Amaro Feitas, que é reverenciado na cena jazz internacional com espetáculos realizados nos principais clubes do mundo.


Pianista Amaro Freitas durante gravação com Milton Nascimento e Criolo. Foto Beto Macedo

Natural de Nova Descoberta, bairro da periferia da capital Recife, o pianista contou em entrevista exclusiva aqui para o Portal Notícia Preta como foi participar do projeto, que em meio a pandemia do novo coronavírus, foi criado para arrecadar doações para a população em situação de vulnerabilidade social.

”Eu tive a oportunidade de conhecer Milton, ele ouviu meu trabalho e pude pessoalmente tocar para ele. Quando ele foi fazer esse trabalho com Criolo ele disse que queria a minha participação dentro do projeto. Fiquei muito feliz”, contou Amaro lembrando, sobretudo, da causa do projeto: “O nosso clipe tem o propósito maior de arrecadar dinheiro para pessoas em situação de vulnerabilidade social, lançamos a música e uma campanha de arrecadação de verba. Nossa missão é também ajudar quem mais precisa”, completou lembrando que os artistas envolvidos vieram de uma origem humilde.

Perguntado sobre o processo criativo da regravação da música ‘Não Existe Amor em SP’, que foi lançada em 2011, no segundo álbum de Criolo, o ‘Nó na Orelha’, Amaro explica: ”a composição é dividida em três momentos: Milton canta primeiro, depois só Criolo e no final encerramos com os dois cantando juntos. Na primeira parte, para o Milton, eu trouxe uma coisa mais classuda com o toque do que seria a música erudita contemporânea da França”, detalhou Amaro fazendo referência ao grande pianista Yann Tirsen, responsável pela trilha sonora do filme Amélie Poulain.

”Trouxe essa parte mais erudita para ressaltar a voz de Milton, que já é grandiosa, que nos traz uma conexão espiritual de forma direta. Coloquei um piano para dialogar com essa voz”, pontuou.

Amaro Freitas com Daniel Ganjaman durante gravação. Foto: arquivo pessoal

Na segunda parte da música, onde é o próprio compositor que canta, Amaro conta que optou por um jazz moderno. ”Trabalhei esse segundo momento pensando naquele cara (Criolo) que vem do rap, mas que canta suave. Então, criei um diálogo a partir desse canto. Como misturar o Hip-Hop com o jazz. Foi um arranjo pensado para os dois cantores”.

E o resultado não poderia ter sido outro: a emoção tomou conta dos artistas durante o clipe, que teve produção de Daniel Ganjaman, e foi gravado nos dias 4 e 5 de março, em estúdio paulistano.

”Fiquei muito feliz com o resultado, porque, sobretudo, rolou uma conexão muito linda, no estúdio. O processo todo foi muito maravilhoso. Eu e o Ganjaman tivemos uma troca muito grande, eu nos arranjos e ele na produção. Foram quase três meses para chegar nesse resultado. E no fim, ficou extremamente lindo. A música ganhou um novo significado nesse momento que estamos vivendo”, concluiu. 


”Enquanto muitos brasileiros estão protegidos em suas casas, mais de 40 milhões estão em situação de vulnerabilidade social. o amor precisa existir”

#existeamor

 As doações são administradas pela própria plataforma da Benfeitoria. O fundo é gerenciado pela SITAWI Finanças do Bem —  uma organização social de interesse público, pioneira no desenvolvimento de soluções financeiras para impacto social — que repassará os recursos para organizações como É de Lei, SP Invisível, Arsenal da Esperança, entre outras.   

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Thiago Augustto

Um filho negro adotado. Thiago Augustto faz questão de marcar sua existência pela raça e pela oportunidade de viver. Transformou o tabu da adoção num grande motivo de orgulho. É criador de conteúdo e palestrante. Se formou em jornalismo em 2014, desde então, trabalha na TV Globo Recife, atuando como produtor e repórter. No Notícia Preta, é editor e coordena os colaboradores das regiões norte e nordeste. Em 2021, criou o Futuro Black - um banco de talentos e de fontes profissionais pretas.

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