COP26: “Povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática”, diz Txai Suruí, ativista indígena

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Começou neste domingo (31) a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26), principal cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) para debater questões relacionadas ao clima. O encontro, que vai até 12 de novembro em Glasgow, na Escócia, é considerado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, como a “última chance de – literalmente – virar a maré”, referindo-se às mudanças climáticas que já afetam o mundo.

Nesta segunda (01), a brasileira Txai Suruí, uma ativista indígena, fez um discurso marcante logo na abertura.

“Meu nome é Txai Suruí, eu tenho só 24, mas meu povo vive na Amazônia há cerca de 6.000 anos. Meu pai, o grande chefe Almir Suruí, me ensinou que nós devemos ouvir as estrelas, a lua, os animais e as árvores. Hoje, o clima está aquecendo, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo, e nossas plantas não florescem como antes. A Terra está falando, e ela nos diz que não temos mais tempo”, disse ela.

A ativista de 25 continuou: “Precisamos de um diferente caminho, com mudanças globais. Não é em 2030 ou 2050, é agora. Enquanto vocês fecham os olhos para a realidade, os defensores da terra foram assassinados por proteger a terra. Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, e nós precisamos estar no centro das decisões sendo tomadas aqui”.

No fim, ela afirmou que os povos indígenas têm ideias para adiar o fim do mundo. Que a gente pare com as falsas promessas, discursos vazios e que a gente lute por um futuro sustentável.

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Txai Suruí

O que é uma COP?

Há quase três décadas, a ONU reúne quase todos os países do mundo para as cúpulas climáticas globais, denominadas COPs, que significa “Conferência das Partes”.

Após uma reunião realizada em 1992 no Rio de Janeiro, com o nome de Cúpula da Terra, foi aprovada a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Neste tratado, as nações signat´´arias concordaram em “estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera” para evitar interferências perigosas da atividade humana no sistema climático. Este tratado, que passou a vigorar em 1994, hoje envolve 197 países.

Desde então são realizadas as cúpulas climáticas globais. Nesta COP26, assim como nos encontros anteriores, estarão presentes chefes de Estado e dezenas de milhares de negociadores, representantes do governo, empresas e cidadãos durante os doze dias de conversações. Até o momento, há mais de 30 mil pessoas inscritas para participar da reunião, representando governos, empresas, ONGs e entidades da sociedade civil.

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