Congresso dos EUA debate compensações aos descendentes de escravizados

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Uma proposta de lei apresentada pela primeira vez há 30 anos no Congresso norte-americano, para avaliar se os afro-americanos devem ser compensados pelos quase 250 anos de escravatura nos EUA, foi debatida pela primeira vez na última quarta-feira (19). O Partido Republicano é contrário a ideia e argumenta que nenhum dos responsáveis [pela escravatura] está vivo”. Os que defendem alegam que a riqueza dos EUA assenta no trabalho escravo, e que os afro-americanos continuam a sofrer as consequências. Em debate está a possível criação de um grupo de trabalho e não a aprovação de medidas concretas, mas o debate sobre o tema está longe de ser consensual.

O líder da maioria do Partido Republicano no Senado, Mitch McConnell, fez fortes críticas sobre a reparação histórica: “Aprovar compensações para uma coisa que aconteceu há 150 anos, e de que nenhum de nós é responsável, não é uma boa ideia”, disse McConnell. “Enfrentamos o nosso pecado original da escravatura com uma guerra civil, com a aprovação das leis dos direitos civis e com a eleição de um Presidente afro-americano”, disse o líder da maioria do Partido Republicano no Senado.

Entre os defensores do projeto estão o ator Danny Glover e o escritor Ta-Nehisi Coates, os dois estiveram presentes no debate da última quarta-feira numa subcomissão da Câmara dos Representantes. Eles explicam que a ideia de compensação “não se resume a passar cheques a negros”, nem se limita ao período de 246 anos de escravatura institucional no território, entre 1619 e 1865.

escritor Ta-Nehisi Coates

Ta-Nehisi Coates classificou os ‘argumentos’ de Mitch McConnell como “uma estranha teoria de governação” – a de que “as contas americanas estão limitadas ao tempo de vida das suas gerações”.

“Ainda neste século, os Estados Unidos continuaram a pagar pensões aos herdeiros dos soldados da Guerra Civil. E honramos tratados que foram assinados há 200 anos, apesar de nenhum dos seus signatários estar vivo”, disse o escritor e jornalista.

“Quem trabalhou nos campos de algodão criou as bases da riqueza deste país”, disse Coates, autor de um importante artigo em defesa da compensação aos descendentes de escravizados publicado em 2014 na revista The Atlantic.

“Tal como o historiador Ed Baptist escreveu, a escravatura ‘moldou cada aspecto crucial da economia e da política’ da América. Em 1836, mais de 600 milhões de dólares, quase metade da atividade econômica nos Estados Unidos, derivavam direta ou indiretamente do algodão produzido pelos escravos”, disse o escritor.

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