Saiba por que o hino do Rio Grande do Sul é racista

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Vereadores da chamada bancada negra, que tomaram posse no primeiro dia do ano na Câmara de Porto Alegre (RS), protestaram contra o hino do Rio Grande do Sul por considera-lo racista.

Os parlamentares, Karen Santos (PSOL), Bruna Rodrigues (PCdoB), Daiana Santos (PCdoB), Laura Sito (PT) e Matheus Gomes (PSOL), se recusaram a cantar o hino que diz: “Mas não basta pra ser livre / Ser forte, aguerrido e bravo / Povo que não tem virtude / Acaba por ser escravo”.

Posse dos vereadores e prefeito de 2021

A letra foi composta durante a Guerra dos Farrapos (1835-1845), em 1838, que tinha caráter separatista, pelo tenente-coronel do exército farroupilha. A dita ‘abolição da escravatura’ só aconteceu meio século mais tarde, em 1888. O hino foi escrito de um dia pro outro quando a cidade de Rio Pardo (RS) foi tomada por revolucionários contrários às regras do Império.

Em 1966, a letra sofreu ajustes e foi oficializada pela lei 5.214/1966 como hino. Na ocasião, o então deputado Getúlio Marcantonio pediu a exclusão da segunda estrofe, que dizia: “Entre nós reviva Atenas / Para assombro dos tiranos / Sejamos gregos na Glória / E, na virtude, romanos”.

Na última sexta-feira (01), durante a cerimônia de posse, os parlamentares da bancada negra permaneceram sentados durante a execução do hino. A vereadora Comandante Nádia (DEM), criticou os colegas durante a cerimônia e disse que “o avanço de uma nação passa também pelo respeito aos símbolos”.

Em resposta, o vereador Matheus Gomes entrou com uma questão de ordem e justificou o protesto de seus colegas de partido. “Como bancada negra pela primeira vez na história da Câmara de Vereadores, talvez a maioria dos que já exerceram outros mandatos não estejam acostumados com a nossa presença. Não temos obrigação nenhuma de estar cantando o verso que diz que o nosso povo não tem virtude, por isso foi escravizado”, afirmou o parlamentar.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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