Racismo é um problema econômico, diz diretor de agência antipobreza da ONU

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Combater o racismo deveria ser prioridade para todos os governos afinal, o racismo é um problema econômico. É o que afirma o economista mexicano Luis Felipe López-Calva, diretor regional para América Latina e Caribe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud, agência focada no combate à pobreza e no desenvolvimento).

Em entrevista à BBC Brasil López-Calva explica que “existe um custo social e um custo econômico dessa discriminação: isso gera segregação”. O economista defende políticas públicas que prevejam investimentos em educação pública de qualidade e cotas para minorias.

Um de seus estudos, publicado neste ano, o economista destaca um levantamento regional realizado até 2015 apontando que brasileiros, bolivianos, mexicanos e outros (negros e indígenas) se sentem discriminados em seus próprios países. A média regional é de 17%, mas chegava a 30% no Brasil e a 40% na Bolívia, no início da década. “ Eles se sentem discriminados em diferentes setores – quando vão procurar emprego, quando tentam ser parte de um grupo social. A segregação gera polarização e, eventualmente, também pode levar ao conflito e a uma situação de violência”, explica López-Calva.

O economista explica ainda todo o processo onde a pessoa se sente discriminada, não consegue trabalho, não aumenta a produtividade, o país não cresce e consequentemente aumenta a violência. López-Calva ressalta ainda a importância do sistema de cotas para quebrar as barreiras sociais.

“Há estudos recentes e inovadores que mostram que a cor da pele explica a discriminação em muitas partes da América Latina. Há evidências disso no Peru, no México, no Brasil. É um problema regional que, historicamente, piora quando há desaceleração econômica e recessão. Nos períodos de bonança, de auge, essas tensões se dissipam um pouco.É preciso contar com uma perspectiva que integre, com a prosperidade como política. Não somente pensar em como cresceremos mais, mas como aqueles grupos que são excluídos podem ser parte desse crescimento.Tirar as barreiras, com as cotas, por exemplo, para que estes grupos se integrem. E de maneira mais estrutural, (fazer com) que a educação seja menos segregada. O problema é que essa segregação também começa desde a infância, quando uns vão para a escola particular e outros, para a escola pública”, explicou o economista à BBC Brasil.

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