“Mães têm a tarefa de cercar os filhos com referências pretas para fortalecer os laços deles com a ancestralidade”

Mulher negra, professora e mãe solo, esta é Larisse Moraes, idealizadora do projeto Afroativos. Ela criou o projeto em 2017, com o intuito de conscientizar crianças e adolescentes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Saint’Hilaire, localizada no bairro Lomba do Pinheiro, periferia de Porto Alegre (RS). Larisse conta que ao presenciar frequentes agressões físicas e verbais na sala de aula percebeu que precisava discutir a questão do preconceito, com os alunos.

Larisse com os alunos

“Somos, antes de qualquer definição, um grupo de estudos, que pesquisa, planeja e age para que mudanças ocorram.  Estamos desenvolvendo intelectualidades negras. O verdadeiro empoderamento vem através do conhecimento, da consciência de quem somos, de onde estamos, onde queremos chegar e, principalmente, sobre conhecer, reverenciar e respeitar aqueles que vieram antes de nós. Todos os que lutaram para que, atualmente, possamos existir” – explica a professora.

Mãe do pequeno Thiago, de 6 anos, Larisse descreve o filho como seu grande companheiro. Ela acredita que mães negras têm a missão de estimular a autoaceitação dos filhos. Devem trabalhar para que eles conheçam a cultura afro, além das “homenagens” em datas comemorativas. Essas mães têm a tarefa de cercar os filhos com referências pretas, em todas as áreas, para fortalecer os laços deles com a ancestralidade. Para Larisse, é necessário que haja um processo de ‘afrobetização’ em casa também.

A professora afirma que uma educação afrocentrada tem efeito multiplicador: “Hoje, mães de nossa comunidade relatam que passaram a empoderar-se, através da evolução de suas filhas e filhos no projeto e com os questionamentos trazidos para dentro de seus lares. O efeito multiplicador da afrobetização ultrapassa os muros da escola”.

No final da entrevista, Larisse Moraes deixa uma mensagem para todas as mães negras (ou não), do Brasil.

“Gostaria de desejar um feliz dia para todas que cuidam de seus filhos com dedicação e que o amor prevaleça. Em tempos de ódio e julgamentos ferozes, desejo-lhes que se cobrem menos e que continuem fazendo um bom trabalho, independentemente das pressões impostas pela sociedade…. Eles crescem rápido demais e, num piscar de olhos já não são os nossos bebês de colo. Já, não podemos protegê-los do mundo. É por isso que devemos prepará-los para o que virá. Desejo um mundo melhor para os nossos filhos e desejo que deixemos filhos melhores para o mundo”.

Louise Freire

Jornalista e apaixonada por livros. Concluiu sua graduação em 2016 e no mesmo ano estagiou em uma revista. Participou da produção de um programa da TV Brasil e trabalhou como produtora audiovisual.

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