Funk brasileiro é reconhecido como categoria do Grammy Latino

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O Funk Brasileiro foi reconhecido como categoria de Música Urbana pela Academia Latina da Gravação, o Grammy Latino, sendo considerado um ritmo próprio a ser observado pela premiação, pela primeira vez na história. Na prática, a mudança indica que mais artistas do gênero sejam indicados e premiados pela maior premiação da música na América Latina.

Capa do clipe Rainha da Favela. de Ludmilla – Foto: Divulgação

A definição do Grammy Latino passa a valer já para este ano e foi comemorada por funkeiros do país. Até 2020, somente a cantora Anitta havia sido indicada ao prêmio que se limitou a postar “Gratidão” em suas redes sociais e replicar as notícias sobre a mudança, depois da nova regra. Internautas relembraram o discurso que a cantora havia feito em 2016 quando disse: “Eu prometo que vou fazer o nosso funk carioca ser respeitado em nosso país!”.

MC Kátia, a Fiel do Funk, relembrou que a música foi uma construção histórica da cultura brasileira e revelou estar muito feliz por o ritmo estar ganhando mais espaço no cenário mundial. “Cada um tem o seu papel no funk, sua história, sua trajetória, sua garra, sua força, sua dedicação. Parabéns a mim e a todos, sem exceção, que leva e abraça o funk e ao público em geral que ama o funk”, disse em suas redes sociais.  

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Tati Quebra Barraco também lembrou que essa conquista foi uma construção coletiva e homenageou outras rainhas do funk e da favela: “De Mc Cacau e Tati Quebra Barraco, a Anitta e Ludmilla. Somos todas as rainhas disso tudo. Cada uma agrega de uma forma. Essa rivalidade precisa acabar!” e ainda mandou o recado “Não é sobre quem está no topo, temos feitos importantes nessa história, que ninguém vai apagar”, observou Tati.

Ritmo criminalizado

Em 2017, o Senado Nacional chegou a analisar uma proposta de criminalização do funk, que foi negada. Na época, a proposta dizia: “É fato e de conhecimento dos brasileiros, difundido inclusive por diversos veículos de comunicação de mídia e internet com conteúdos podre (sic) alertando a população o poder público do crime contra a criança, o menor adolescente e a família. Crime de saúde pública desta ‘falsa cultura’ denominada funk”.

Cem anos antes, o samba também havia sido criminalizado no Brasil ao ser identificado como crime de “vadiagem”. Nos séculos 19 e parte do século 20, carregar o pandeiro era considerado prova da prática. O mesmo projeto de criminalização já havia sido realizado em relação a outros símbolos da cultura negra, como a capoeira. 

A funkeira Ludmilla lembrou exatamente que o ritmo é marca de resistência. “Que conquista pro nosso funk gente! Esse reconhecimento é de todos nós funkeiros que sempre lutamos e continuamos lutando até hoje pra quebrar barreiras. Nós estamos vencendo, todos esses anos de luta e resistência serão reconhecidos! Parabéns para nós”,  disse a cantora sobre a decisão divulgada neste domingo (18).

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