Adolescente de 14 anos é símbolo da resistência antirracista na Bélgica

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Por Danilo Lima

Noah, um afro-descendente belga, entrou com uma petição online para que a estátua de Leopoldo II seja retirada da frente do palácio Real de Bruxelas, onde o monumento se encontra desde 1926. Os pais do jovem nasceram no antigo Zaire, lugar onde hoje é conhecido como República Democrática do Congo.

No final do século XIX, a região era de propriedade de Leopoldo II, onde centenas de milhares de africanos foram escravizados e mortos no comercio de escravos. Segundo Noah, uma estátua do antigo rei na capital belga tem o mesmo significado de uma estatua de Hitler em Berlim.

Noah e a estátua de Leopoldo II, ao fundo (Foto: CNN internacional)

“Sinto-me muito menosprezado, porque são pessoas da minha origem, meus antepassados que foram mortos por Leopoldo II. Pra mim, quando você coloca a estátua de Adolf Hitler em Berlim, é como colocar a estátua de Leopoldo II em Bruxelas”, declarou o jovem, em entrevista à CNN internacional.

Quando as estátuas ligadas à escravidão e ao racismo começaram a serem destruídas por manifestantes antirracistas nos Estados Unidos e na Europa, o garoto de 14 anos criou uma petição para demolição de monumentos em memória de Leopoldo II em Bruxelas. Com mais de 80 mil assinaturas, a petição de Noah ganhou o nome de “Vamos reparar a história”.

O jovem afirma que a população belga não está preparada para entender o contexto histórico da região que foi conhecida como Estado Livre do Congo, mas acredita nos jovens do país para mudar esse quadro.

“Espero que os jovens da minha idade e mais jovens do que eu passem a assumir a responsabilidade de uma história racista, que possam dialogar e se fazer ouvir a voz afrodescendente do país” , afirmou Noah.

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