Vitiligo: a doença silenciosa que afeta a pele e a identidade

Modelo quebrou paradigmas ao desfilar no Victoria’s Secrets Fashion Show em 2018 (Crédito: Reprodução de Instagram)

Ver pessoas evitado cumprimentos, afastando os filhos ou mesmo saindo da piscina são experiências comuns para quem convive com vitiligo, uma doença autoimune que ataca a melanina, proteína presente no corpo que dá coloração, que faz com que a pessoa fique parcialmente ou totalmente branca. As ações acima descritas acontecem porque ainda acredita-se que ela é contagiosa, mas é importante ressaltar que ela não é!

“Na maioria dos casos, as primeiras manchas aparecem na infância, mas não é incomum que a doença se manifeste na fase adulta. Em muitos casos, o “gatilho” para o vitiligo aparecer é emocional: quando alguém perde um parente, se a pessoa está vivendo um momento de muito estresse ou de sofrimento, por exemplo. Esse quadro emocional instável propicia, inclusive, para que as manchas cresçam de maneira mais acelerada”, explica a dermatologista Daniela Antelo.

O reconhecimento da necessidade de um cuidado amplo com a doença fez com que a especialista montasse o Centro de tratamento do Vitiligo, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, que, além de dermatologista, conta também com um clínico geral e um psicólogo.

“O vitiligo é resultado da influência genética, imunológica e do meio. Então, é possível cuidar com remédios via oral como corticoides e imunomodeladores; na parte tópica, há produtos que receitamos que estimulam a pigmentação; e a fototerapia, que funciona como um bronzeamento, mas sem prejudicar a pele. Há alguns casos que podem ser tratados com cirurgia”, explica Daniela.

Não existe uma pesquisa oficial no Brasil, mas sabe-se que a incidência de vitiligo na população mundial varia de 1% a 2%, sendo que a proporção da doença entre negros e brancos é igual. Entretanto, por ter a pele escura, o negro sofre mais por causa do contraste alto. Sem contar que abre uma possibilidade de crise de identidade.

“A autoimagem é uma construção que vai mudando naturalmente, gradualmente e é comum a todos. Quando uma pessoa tem vitiligo, a mudança de imagem acontece de maneira muito rápida e não é comum a todo mundo. Tem um impacto grande, por causa do desvio da autoimagem. Pode causar fobia social, depressão, aumenta a inibição. Há uma tendência a se afastar das relações que têm no mundo. A gente tenta fazer a pessoa lidar com a mancha de uma maneira melhor, porque às vezes a própria família não sabe agir”, explica o psicólogo Leonardo Alves.

Cantor Rappin Hood nunca escondeu as manchas claras na pele (Crédito: Reprodução/Facebook)

O fato de famosos como a modelo Winnie Harlow e o rapper Rappin Hood assumirem a doença é interessante por chamar atenção para o debate, mas é preciso ficar atento.

“A realidade das mídias sociais não é a do dia a dia. Acho maravilhoso a Winnie Harlow estimular a aceitação, para não ter a necessidade de seguir um padrão de beleza. Por esse ponto de vista, acho incrível. Para ela chegar ali, mostra que ela se entendeu. Por outro lado, isso não tira a legitimidade da pessoa que tem uma mancha e queira tratar e esconder com maquiagem”, avalia Daniela Antelo.

A dermatologista também reforça: “É importante escutar o paciente para saber o que ele pretende, o que ele almeja e o quê o incomoda. Por isso a importância de um atendimento multidisciplinar, para ajudar a ter mais qualidade de vida”.

Lídia Michelle Azevedo

Formada em Comunicação Social - Jornalismo pela UFRJ, em 2009, já passou pelas redações do Jornal dos Sports, Assessoria de Imprensa do IBDD (Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiencia) Revista Ferroviária, Expresso, Extra, Canal A e atualmente está na assessoria de comunicação da Fundação Cecierj.

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