Economia criativa: a revolução dos produtores locais no Brasil

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Certamente você já ouviu por aí dizerem que o brasileiro já nasceu formado em publicidade não é mesmo? Este senso comum se dá em função de que os brasileiros em geral são bastante criativos. Não é à toa que somos os maiores produtores de memes no mundo.

Isso não é só achismo. De fato, o Brasil é considerado um polo de economia criativa entre os países emergentes em todo o mundo. Dados recentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostram que, em 2015, o setor cultural foi responsável por movimentar cerca de R$ 155 BI no Brasil. Este número corresponde a cerca de 2,64% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Mas afinal, o que é economia criativa?

Economia criativa nada mais é do que o conjunto de negócios baseados no capital intelectual cultural e na criatividade que gera valor econômico. Em outras palavras, são negócios que têm a criatividade como principal insumo dos produtos e serviços envolvidos no processo criação, produção e distribuição. Dessa forma, a economia criativa gera renda, empregos e auxilia o desenvolvimento humano.

Entre os países emergentes o Brasil tem sido considerado um dos maiores mercados para a economia criativa. Segundo o “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil” publicado pela Firjan em 2016, são mais de 850 mil profissionais trabalham na indústria criativa no Brasil.

Quais são as principais áreas da economia criativa?

A indústria criativa abrange várias áreas que vão desde à moda, a arquitetura e produções de games. Em função disso, várias iniciativas têm surgido para fortalecer e fomentar a economia criativa no Brasil. Um exemplo disso, é o surgimento de cursos no ensino superior focados na área audiovisual e na economia criativa. Segundo o Sebrae as principais áreas da indústria criativa podem ser divididas em quatro grandes áreas de afinidades setoriais:

  • Consumo: aqui, são abrangidos empreendimentos e iniciativas voltadas para o design, arquitetura, moda, comunicação e publicidade;
  • Mídias: nesta categoria, são enquadrados projetos de produção editorial e audiovisual;
  • Cultura: desenvolvimento de negócios ligados ao patrimônio e artes, música, artes cênicas e expressões culturais;
  • Tecnologia: atividades ligadas à Pesquisa e Desenvolvimento, biotecnologia e TIC.

Economia criativa e afroempreendedorismo

Uma das principais características da economia criativa é o potencial criativo dos profissionais envolvidos na concepção do produto ou serviço. Em função disso, os produtores locais têm um papel importantíssimo no processo de difusão e desenvolvimento de negócios criativos em todo o país.

Junto a este movimento, o afroempreendedorismo também cresce no Brasil. São considerados afroempreendedores, aqueles empreendedores que possuem um negócio onde os profissionais envolvidos com a cadeia produtiva são negros, gerando riqueza e aumentando a circulação do dinheiro entre a comunidade negra.

O Movimento Black Money tem sido um dos maiores esforços no sentido de fomentar o afroempreendedorismo e à indústria criativa entre negros no Brasil. As iniciativas do movimento abrangem projetos ligados à comunicação, educação e serviços financeiros, que visam dar protagonismo aos negros e colocá-los no centro dos processo de produção. A ideia é não apenas oportunizar o poder de fala, mas também o poder de transformação aos negros em todos as etapas da cadeia produtiva.

No Brasil iniciativas como o Clube da Preta, primeiro clube de assinatura de moda afro e o Painel Bap, um instituto de pesquisa criado para entender o comportamento de consumo da população negra, que permite a remuneração dos participantes. E não para por aí, a Feira Preta, criada em 2002 é hoje o maior evento de cultura negra e afro empreendedorismo da América Latina.

De fato, ainda temos muito o que evoluir no desenvolvimento de ações para aprimorar e crescer o afroempreendedorismo no Brasil. O país que tem à maior parte de sua população autodeclarada negra, ainda possui pouquíssimos negros com negócios lucrativos e que gerem desenvolvimento econômico e sustentável de fato. Porém, são iniciativas como as citadas anteriormente, que mostram que é possível reverter esse cenário e trazer os negros para os espaços de protagonismo e poder.

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Gleidistone Silva

Especialista em Marketing Estratégico e Branding e bacharel em Publicidade Propaganda pelo Centro Universitário UNA de Belo Horizonte, já atuou na área de marketing de cosméticos durante 4 anos. Atualmente integra o time da Rock Content, maior startup de Marketing de Conteúdo da América Latina. Além disso, produz conteúdo para a #TomtomTV no IGTV e no Youtube. Lá são abordados temas relacionados a negritude, moda e life style masculino

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