Grife japonesa usa modelos brancos de tranças em desfile e é acusada de racismo e apropriação cultural

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Para apresentar sua coleção de moda masculina outono / inverno 2020, na Paris Fashion Week, na última sexta-feira (19), a famosa marca japonesa ‘Comme les garçons’, utilizou vários modelos, que eram predominantemente brancos, desfilando com perucas de tranças do tipo cornrows.

As tranças são utilizadas há séculos por negros e negras e possuem diversos significados podendo até mesmo ter relação com religião, estado, idade, etnia e outros atributos de identidade que foram expressados ao longo da história dos negros em forma de penteado. Justamente por utilizar de um elemento específico da cultura negra por um grupo cultural diferente, os brancos, neste caso, a marca foi acusada de racismo e apropriação cultural.

Nas redes sociais os internautas reagiram rapidamente. A modelo e ativista Adwoa Aboah comentou: “Estamos surpresos?”. Outro problema foi que apenas os modelos brancos usavam perucas, os modelos negros que desfilaram estavam com os cabelos naturais trançados no mesmo estilo.

Julien d’Ys, o cabeleireiro da marca, disse que a ideia foi inspirada nos penteados dos príncipes egípcios antigos e pediu desculpas: “Queridos, minha inspiração para o desfile do ‘Comme des garçons’ foi um príncipe egípcio que achei verdadeiramente bonito e inspirador”, escreveu ele. “Um olhar que foi uma homenagem. Nunca foi minha intenção magoar ou ofender alguém, jamais. Se eu pedisse desculpas profundamente”.

Vale ressaltar um detalhe que talvez o cabeleireiro tenha ‘esquecido’. O Egito é um país do continente africano e o povo do Egito antigo era negro, conforme relatam diversos textos antigos (gregos e árabes).



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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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