Projeto quer mudar nome da rua que homenageia o assassino de Zumbi dos Palmares

APOIE O NOTÍCIA PRETA

Alunos da Faculdade Zumbi dos Palmares pedem atenção para um fato relevante. A Rua Jorge Velho fica a poucos metros da Faculdade Zumbi dos Palmares, no bairro do Bom Retiro. Mas essa rua esconde uma história que pouca gente sabe: Jorge Velho foi o bandeirante que ordenou a morte de Zumbi dos Palmares. 

Pelo projeto, a rua passará a se chamar Zumbi dos Palmares – Foto: Divulgação

Essa descoberta foi feita pelos próprios alunos da faculdade, que se reuniram para criar o movimento Zumbi Resiste. O objetivo é transferir a homenagem de Jorge Velho para Zumbi dos Palmares, além de transformar o local em um espaço de resistência da cultura negra. Para o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente, a necessidade da mudança se dá devido ao local, além de tudo, ser passagem de vários alunos da Faculdade que leva o nome do verdadeiro herói. “Uma rua é um pouco de nós e o nome dela não pode ser contra nós. Se é, não devemos mudar de rua, precisamos mudar o nome da Rua. Mudar o nome das ruas, nunca mais mudar de rua”, afirmou.

Na semana da consciência negra, a rua foi interditada pelos alunos da faculdade, em uma ocupação que tomou o dia e pressionou as autoridades públicas para que a mudança seja feita e encarada com urgência. A ocupação contou com conversas sobre o assunto, além de diversas manifestações artísticas e culturais.

Em outras mãos
Agora, o projeto foi encaminhado para a câmara de vereadores de São Paulo, que analisará o pedido de mudança. Enquanto isso, para fazer mais pressão pela mudança de nome, os alunos recolhem assinaturas de toda população, que podem ser feitas pessoalmente ou através da internet. Para saber mais, basta acessar o site zumbiresiste.com.br. Segundo o aluno da Faculdade, Lucas Carvalho, o apoio de toda comunidade é de grande importância, inclusive pelo momento histórico que o país vive. “É importante contar com o apoio de toda população para expor o assassino Jorge Velho e fazer justiça por Zumbi dos Palmares, que foi importante para a libertação de milhares de negros” Lucas Carvalho, aluno da Universidade.

Reparação histórica a Machado de Assis

Em 2019, os mesmos alunos foram responsáveis por corrigir outro erro histórico, recolorindo a imagem de Machado de Assis, que foi tido como branco pela sociedade da época em que viveu. Porém, o patrono da Academia Brasileira de Letras sempre foi negro. A imagem recolorida ganhou o mundo, virou tema de estudos, conversas e até mesmo exposta em museus. 

Imagem recolorida de Machado de Assis, também foi um projeto de alunos da Faculdade Zumbi dos Palmares – Foto: Divulgação Faculdade Zumbi dos Palmares

A história de Jorge e Zumbi

Zumbi dos Palmares nasceu na Serra da Barriga e se tornou líder do Quilombo dos Palmares, tornando-se símbolo de resistência contra a opressão portuguesa. Denominado “O senhor das guerras”, Zumbi foi responsável pela libertação de um incontável número de escravos, se apoderando também das armas e munições, que posteriormente eram usadas na defesa do quilombo. Zumbi virou assim uma lenda entre os afrodescendentes que viviam no país, criando inclusive o mito de que seria imortal.

Foi então que Domingos Jorge Velho recebeu a incumbência de destruir o Quilombo dos Palmares, em troca de dinheiro e terras. Velho e sua tropa comandaram diversos ataques ao Quilombo dos Palmares com métodos altamente brutais e sendo descrito por pessoas da época como “um dos maiores selvagens que já haviam visto”. Até que em 1694, as tropas de Jorge Velho, com mais de 6 mil homens, obtiveram êxito e promoveram um verdadeiro banho de sangue no Quilombo dos Palmares, assassinando a maior parte da população que ali vivia e prendendo mulheres e crianças. 

Zumbi, mesmo ferido, conseguiu escapar da invasão e em 20 de novembro de 1695 foi apanhado em seu esconderijo, sendo morto pelas tropas de Jorge Velho que dias depois expressou em ofício a Sua Majestade que Zumbi havia sido morto por uma partida de gente do seu terço. Após isso, a cabeça de Zumbi ainda foi cortada, salgada e exposta em praça pública para que fosse usada como exemplo a todos os afrodescendentes da época.

APOIO-SITE-PICPAY

Gabriella Reis

Jornalista, escritora e web-redatora. "Se ninguém te escuta, escreva!"

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.