Nos últimos 4 anos, apenas 13 entrevistados do programa Roda Viva são negros

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Pesquisa mostra também que, em mais de 200 programas, 92% dos entrevistados eram brancos

Foram analisados 246 programas e os negros correspondem a pouco mais de 6% dos entrevistados – Foto: LójúKojú

Um estudo, realizado pelo Coletivo LójúKojú, analisou o perfil dos entrevistados de 246 edições do programa Roda Viva (TV Cultura), entre janeiro de 2016 e junho de 2020. A escolha se deu pelo fato do programa ser descrito como um espaço plural para apresentação de ideias, conceitos e ter grande alcance da população brasileira. 

Segundo o Coletivo, a intenção do estudo é mostrar a falta pluralidade presente na mídia, levando em conta a falta da representatividade do negro em locais onde tem se discutido bastante sobre o tema racismo, equidade e diversidade, mas que não colocam isso em prática.

A análise separou os programas em dois tipos: o Roda Viva Entrevista e o Roda Viva Temático. No primeiro, cumpria-se o formato de entrevista convencional e, no outro, um grupo de duas a seis pessoas debatiam em torno de temas específicos e constatou a grande presença dos brancos, tanto como entrevistados como debatedores no programa. Em seu formato convencional, foram 205 programas analisados, onde os negros entrevistados totalizaram 6,34%, 92,21% eram brancos, 1% eram amarelas e 0,45% indígenas. 

Ainda segundo os organizadores da pesquisa, Tainá Medeiros e Douglas da Nóbrega, a ideia foi tentar constatar se há de fato pluralidade e diversidade de pessoas nas entrevistas realizadas. 

Participação negra e indígena

Observa-se no estudo que, nos 41 programas em formato de debate, a participação de pessoas negras se resumiu a 6,48%, 92,97 % eram brancos, 0,52% amarelo e nenhum Indígena foi convidado a debater. “Os dados que apresentamos se somam a diversos outros trabalhos já realizados nesse sentido, para pressionar a grande mídia a admitir sua parcela de responsabilidade na perpetuação de desigualdades sociais e raciais, e começar a agir na reparação desse cenário“, comenta Tainá Medeiros.   

Ainda de acordo com a pesquisa, as mulheres estão presentes em 10% no formato convencional, enquanto os homens representam 90%. Em formato debate as mulheres estiveram presentes em 18,37% dos programas e os homens em 81,62% . Um dado importante é que somente 1,5% dos entrevistados eram portadores de alguma deficiência.  

Em quatro anos de análise, 21 mulheres foram entrevistadas no programa – Foto: LójúKojú

Para Douglas da Nóbrega, o resultado não causou nenhuma surpresa, ele acredita que a pesquisa veio para ser mais uma ferramenta importante de debate contra essa falta de representatividade. “Neste momento, a análise cumpre seu papel de se tornar mais uma ferramenta para o debate sobre representação racial nos meios de comunicação do Brasil. O que a pesquisa reforça em nós é o entendimento de que na maioria das vezes os discursos sobre representatividade são demasiadamente frágeis, pois não são reflexos de um compromisso real com mudanças estruturais e com a eliminação de privilégios”, ressalta.   

Coletivo LójúKojú 

LójúKojú é um coletivo que surge movido pelo propósito da pesquisa, organização e disseminação de dados sobre as desigualdades estruturais no Brasil. LójúKojú vem do yorubá, e significa: cara a cara, abertamente.  

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Fernanda De Souza

Graduada em jornalismo pela Centro Universitário Uni-BH, com 7 anos de experiência com Monitoramento de Notícia (Clipping Eletrônico). Atuação na elaboração de análises quantitativas e qualitativas que atende as necessidades da assessoria de comunicação.Vivência com produção e reportagem para revista, na área cultural.

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