Polícia usa foto de jovem preso por crime que não cometeu para acusá-lo em outros dois casos

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Danilo passou 55 dias na prisão injustamente (Foto: Reprodução / Internet)

Em julho deste ano, Danillo Felix Vicente de Oliveira foi acusado de roubar uma motocicleta, celular e dinheiro em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ele foi reconhecido por uma foto e acabou preso. Na última segunda-feira (29), no entanto, a vítima voltou atrás durante uma audiência na 1ª Vara Criminal e alegou que não tinha sido Danillo o autor do crime – e, com isso, ele foi absolvido após passar 55 dias no Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão. Apesar de estar em liberdade, o calvário não parou por aí: Danillo descobriu que a polícia usou a mesma foto para incriminá-lo em outros dois casos.

O auxiliar administrativo ficou sabendo que a fotografia, de 2017, foi utilizada por agentes da 76ª DP (Niterói) para que vítimas de outros dois assaltos, também ocorridos em julho, o reconhecessem como autor. Na imagem, Danillo aparece de cabelo curto e bigode – entretanto, o rapaz estava havia mais de um ano usando tranças no cabelo.

Um dos crimes, inclusive, ocorreu na manhã do dia 2 de julho, data em que aconteceu o assalto ao motociclista que culminou na prisão equivocada de Danillo. Acusado por três crimes, todos no mesmo mês, o jovem não vê outra explicação a não ser preconceito.

“Pra mim, eu fui vítima de racismo. Mostraram uma foto antiga para que fizessem o reconhecimento do autor que seria um homem de cabelo curto. Eu usava cabelo grande com cachos havia um ano. Como reconheceram a foto antiga? Quero correr atrás deste prejuízo. A coisa mais valiosa que a gente tem é a família e a liberdade. Não quero passar por isso de novo. Foram 55 dias onde eu fiquei longe do meu filho, de 1 ano, e não o vi a começar andar. Também passei preso o Dia dos Pais e os aniversários da minha mulher e do meu pai( os dois fizeram aniversário 8 de agosto)”, disse Danillo, ao jornal Extra.

Segundo Cristiane Lemos, advogada que defende o rapaz, ele também é inocente nos outros dois casos.

“As vítimas fizeram o reconhecimento desta foto, de 2017, na qual ocorre o mesmo do processo que a gente teve a audiência e que designou absolvição do Danillo. Os outros processos também versam sobre isso, sobre esse reconhecimento, sobre essa foto . Óbvio que tudo preocupa, mas a gente tem muita certeza da inocência do Danillo”, contou a advogada.

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro ainda não se manifestou sobre o caso.

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