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Francia Márquez pode ser a primeira vice-presidente negra da Colômbia

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Pela primeira vez em sua história, a Colômbia pode ter uma mulher negra como vice-presidente. Francia Márquez, ativista ambiental e advogada, está na chapa para presidência com o senador de esquerda e ex-guerrilheiro Gustavo Petro (Pacto Histórico), eles estão à frente nas pesquisas, com 36,64% de intenções de votos, segundo as últimas enquetes e pesquisas eleitorais.

Francia Márquez será a primeira negra a formar chapa na Colômbia – Foto: Divulgação

A eleição para presidência da república na Colômbia acontece em 29 de maio, e o segundo colocado, Federico Gutiérrez (Coalizão de Direita Equipo), tem 21,40% das intenções de votos. O atual governo, do conservador Iván Duque, passou por uma série de manifestações nas ruas durante todo o ano de 2021. As principais reivindicações são contra o aumento de impostos, renda básica universal e contra a reforma do sistema de saúde. Com isso, a elite política colombiana, que governa tradicionalmente o país, perdeu força.

Nos discursos feitos durante o período eleitoral, Francia Márquez, afirmou em caso de vitória, vai trabalhar pelas mulheres, negros, indígenas, camponeses e pela população LGBTQIA+. Ela tem 40 anos de idade, nasceu e foi criada na comunidade negra de La Toma, na cidade de Suárez, em Cauca, considerado um dos locais mais pobre e violento do país. Formada em advocacia pela Universidade Santiago de Cali, a ativista ambiental já trabalhou como empregada do lar e garimpeira. 

Com 13 anos de idade, Márquez estava envolvida na luta contra projetos do governo que alterariam o curso do rio Ovejas, um dos maiores e mais importantes da bacia hidrográfica de La Toma. Ela também esteve à frente da manifestação contra o garimpo ilegal, atividade que gerou mais de 30 toneladas de mercúrio despejadas nas águas desta região, poluindo uma área de 230 km. Na ocasião, em 2019, houve uma caminhada por dez dias de La Toma até Bogotá.

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Francia sofreu ameaças de mortes e atentados à sua vida pelo seu trabalho realizado contra o desmatamento da região em que foi criada. No mês maio de 2019, ela e um grupo de líderes sociais da Associação de Conselhos Comunitários do Norte de Cauca, sofreram um atentado em Santander de Quilichao, enquanto se preparavam para uma reunião com o governo, por homens com armas e granadas.

Em 2015, Francia Márquez, ganhou o “Prêmio Nacional de Defesa dos Direitos Humanos na Colômbia” e três anos depois recebeu o Prêmio Goldman, que é o “Nobel do Meio Ambiente”, pelo ativismo ambiental realizado por ela na comunidade.

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