Brasil perde 5 posições no ranking que mede o IDH

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Mesmo apresentando uma melhora, Brasil ainda figura em sexto lugar na América do Sul

Os anos na escola foram fundamentais para a queda do país no Índice – Foto: Reprodução

Nesta terça-feira (15) foi divulgado o Relatório de Desenvolvimento Humano, do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD). Nele, é apresentado o Índice de Desenvolvimento Humano de 189 países, no ano de 2019, e o Brasil aparece em 84º lugar. Mesmo com um ligeiro aumento no índice, de 0,762 para 0,765, o país caiu cinco posições, se comparado ao ano de 2018, quando ocupava a 79ª colocação. 

Na América do Sul, a posição do Brasil também não é confortável. Dentre os 12 países do continente, a 5ª economia do mundo aparece em sexto lugar, atrás de Chile, Argentina, Uruguai, Peru e Colômbia. No ranking geral, o Brasil fica atrás de países que passaram por guerra civil, como Sérvia, Bósnia-Herzegovina, além de ficar atrás de países da América Central como Trinidad e Tobago e Cuba

Desigualdade e meio ambiente

A Organização também levou em consideração, pela primeira vez em seus levantamentos, as emissões de CO² e a responsabilidade ambiental, considerado-se o uso dos recursos naturais pela população. Além disso, a desigualdade social é um dos fatores que contribuíram para essa queda. 

Para o professor e Doutor em Comunicação e Sociabilidade, Gilvan Araújo, o índice do Brasil caiu devido a uma somatória de fatores, inclusive políticos. “O índice do Brasil é praticamente a metade da média mundial, no quesito educação do IDH e a gente pensa ‘por que é tão baixo?’. Além do índice de analfabetismo, que é elevadíssimo, a gente olha também para a questão do Fundeb (Fundo da Educação Básica), por exemplo, que acabou de se tornar permanente no Congresso e vem deputados para abocanhar 10% do Fundo para investir em escolas particulares ou ligadas às igrejas. Ou seja, o recurso básico da Educação já é escasso e dificilmente é suficiente para poder dar conta do ensino básico brasileiro. E ainda tiram recursos para financiar escolas particulares e ligadas às igrejas em um claro interesse político partidário”, afirmou. 

O Brasil é um dos países com a maior diferença de renda no mundo. 10% dos mais ricos, concentram 45% da renda nacional – Foto: Reprodução

Interesse político

Gilvan ressalta que não há interesse governamental em melhorar a educação e que os números se referem ao primeiro ano do governo Jair Bolsonaro. “É lógico que sabemos que esse governo é uma vergonha no quesito educação. Prova disso são os ministros da Educação que já passaram por esse governo. A gente olha pra esse IDH e pensa que é apenas o primeiro ano, que está com reflexo desses números. O Brasil perdendo cinco posições nesse ranking que avalia as condições de vida, as condições de desenvolvimento humano de cada sociedade. Ou seja, o Brasil está piorando, está adoecendo, está ficando menos escolado, as condições de vida estão piores. É isso que o IDH mostra”, enfatizou. 

Outro fator que impacta negativamente a situação brasileira no índice é a diferença de renda entre os brasileiros. De acordo com o Relatório, os 10% mais ricos concentram 42,5% da renda total e, em concentração de renda, o Brasil perde apenas para o Qatar. Gilvan lembra que não existe fórmula mágica e países como a Argentina vem taxando as grandes fortunas, trabalhando para melhorar a equidade social. Mas, ao mesmo tempo, ele ressalta que só é possível se houver interesse dos governantes. “A desigualdade social no Brasil é uma coisa histórica, cultural. O Brasil é um país palaciano de políticos, de pessoas que vivem em uma mordomia, como se fossem reis, enquanto milhões de brasileiros passam fome, não tem onde morar, não tem saneamento básico. Que dirá educação e saúde públicas de qualidade. Então, para mudar essa realidade, as pessoas, primeiro, precisam ter consciência que isso existe e, segundo, elas precisam entender que, se isso existe, não é por culpa delas, é por culpa de governos que não fazem aquilo que a sociedade precisa. A sociedade fica refém do Estado, ao invés de se sentir cidadã dele”, finalizou. 

Líderes

Liderando o ranking estão Noruega (0,954), Suíça (0,946), Irlanda (0,942), Alemanha (0,939), Hong Kong (território semiautônomo da China –  0,939) e Austrália (0,938). Na outra ponta, estão países africanos com os menores índices de desenvolvimento humano do planeta. Chade (0,392), República Centro-Africana (0,350) e Níger (0,348). Não entraram nas estatísticas os países Coreia do Norte, Ilhas Marshal, Mônaco, Nauru, San Marino, Solmália e Tuvalu

A base de cálculo da ONU vai de 0 a 1 e leva em consideração três critérios: a expectativa de vida, anos previstos e média de anos de escolaridade e renda nacional per capita. 

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor e coordenador regional do Notícia Preta

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