Uma a cada quatro matérias que a mídia americana publica sobre Kamala Harris é racista e sexista, diz relatório

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A cobertura em torno da candidata democrata à vice-presidência dos EUA, Kamala Harris, inclui estereótipos racistas como o da ‘preta raivosa’ e conspirações em torno de seu local de nascimento, algo que já havia acontecido com Barack Obama na eleição de 2008. As informações constam no Relatório do movimento Time’s Up Now, um movimento contra o assédio sexual criado em 2018 por famosos e ativistas em Hollywood.

Foram analisadas três semanas de cobertura na imprensa americana em torno da nomeação de Harris para a chapa do democrata Joe Biden.

Ao comparar a cobertura da mídia feita sobre Kamala Harris, que foi a primeira mulher negra e descendente de asiáticos a disputar a presidência dos EUA, àquela em torno dos candidatos a vice-presidente na eleição de 2016, o relatório mostrou que 61% do que saiu na imprensa americana sobre Harris mencionava gênero e raça contra apenas 5% para Mike Pence e Tim Kaine, candidatos a vice nas chapas de Donald Trump e Hillary Clinton, respectivamente.

Quando as mulheres, especialmente mulheres negras, concorrem a um cargo político, elas estão sujeitas a padrões que não têm nada a ver com suas qualificações, mas que têm tudo a ver com o histórico sexista e racista dos EUA“, disse Tina Tchen, presidente e CEO do Time’s Up Now. “É hora das mulheres serem julgadas por seus méritos, e da mídia olhar criticamente os vieses de suas coberturas“.

A ancestralidade de Kamala Harris dominou 36% da cobertura de sua nomeação, enquanto sua experiência profissional e suas conquistas ficaram com 31% da cobertura, segundo o relatório.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, fundadora e CEO do portal Notícia Preta e podcaster do Canal Futura. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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