Sapatilhas da bailarina brasileira Ingrid Silva viram peça de museu nos EUA

APOIE O NOTÍCIA PRETA
As sapatilhas de Ingrid Silva ficarão expostas no Museu Nacional de Arte Africana Smithsonian, nos Estados Unidos – Foto: Museu Nacional de Arte Africana Smithsonian

Através da redes sociais, o Museu Nacional de Arte Africana Smithsonian, nos Estados Unidos, anunciou que irá transformar as sapatilhas e as meias-calças da bailarina brasileira Ingrid Silva em uma das peças de seu acervo. 

No final de 2019, a brasileira Ingrid Silva, bailarina do Dance Theatre of Harlem, compartilhou pelo seu perfil do Instagram a vitória de não precisar pintar mais suas sapatilhas com a chegada de sapatilhas de ponta feitas especialmente para o seu tom de pele negro. Em seu Twitter, Ingrid explicou que sempre precisou tingir suas sapatilhas de ponta com base marrom-escuro, pois o calçado usado tradicionalmente para dançar nas pontas dos pés eram fabricados em cores claras e compatíveis para a pele branca. “Pelos últimos 11 anos, eu sempre pintei a minha sapatilha. E finalmente não vou ter mais que fazer isso! FINALMENTE! É uma sensação de dever cumprido, de revolução feita, viva a diversidade no mundo da dança. E que avanço, viu? Demorou mas chegou!”, postou. 

A realidade de Ingrid e de muitas outras bailarinas negras e retintas comoveu o mundo e agora realizam, novamente, mais um marco. As sapatilhas tingidas por Ingrid farão parte do acervo do Museu Nacional de Arte Africana Smithsonian. 

Ingrid Silva reclamou do preço das sapatilhas – Foto: Twitter

Utilizando a mesma rede social, Ingrid agradeceu, mas também denunciou o preço da conquista e a falta de acessibilidade. “Você sabia que as sapatilhas do tom da pele custam mais caro, ou seja além de elas terem demorado a chegar no mercado e custarem o mesmo preço da rosa, as companhias cobram mais caro por elas. Mais um absurdo! Acesso é super importante e pra todos já!”, postou. “Você sabiam que a sapatilha é uma continuação do corpo da bailarina e por isso ela tem que ser da sua tonalidade. Aí alguém vai falar mas elas são rosas-claras com “olhos virando”, sim porque o ballet foi inventado por pessoas brancas e o rosa e mais próximo do tom da “pele” deles. Embora ninguém seja rosa.” 

No Brasil, sapatilhas de ponta, utilizadas por bailarinos e estudantes de balé clássico para dançar nas “pontas dos pés”, custam em média R$ 200 reais. Para cores de pele retintas, apenas por encomenda. 

APOIO-SITE-PICPAY

Gabriella Reis

Jornalista, escritora e web-redatora. "Se ninguém te escuta, escreva!"

1 Comment

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.