São Paulo atinge 654 mil famílias em situação de miséria

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O Estado de São Paulo chegou ao número de 654.103 famílias que estão vivendo em situação de miséria. Entre janeiro e abril deste ano houve um aumento de 5,52%. No início do ano, eram 619.869 famílias em situação de extrema pobreza. O levantamento foi realizado pela segundo dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMADS) e leva em conta os dados das famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).

Os números aumentaram mais de 30% em um ano – Foto: Freepik

Segundo o levantamento, os distritos de M´Boi Mirim, Capela do Socorro e Cidade Ademar, na Zona Sul da capital paulista, foram os locais que mais apresentaram famílias nesta situação. Ao todo, apenas os três distritos são responsáveis por 123.703 famílias em situação de miserabilidade. Na outra ponta, os distritos com menor número de famílias em situação difícil são Lapa, na Zona Oeste (5.297); Vila Mariana, Zona Sul (3.201); e Pinheiros, na Zona Oeste (2.147).

Em comparação com janeiro de 2021, houve um aumento de 30,82%, passando de 473.814 famílias em extrema pobreza, para 619.869. Com os dados de abril deste ano, esse percentual aumenta para 38,05%, em pouco mais de um ano. Em números absolutos, são 180.289 famílias a mais em extrema pobreza, em pouco mais de um ano. Ess número é o equivalente à quantidade de habitantes da cidade de Itu, localizada a 102 km de São Paulo e que, de acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), possui 175.568 moradores.

O critério que o governo brasileiro utiliza para classificar determinada família em extrema pobreza são aquelas que vivem com renda per capita mensal de até R$ 105 e que estão cadastradas no CadÚnico. Já o Banco Mundial classifica famílias em extrema pobreza, aquelas que possuem renda mensal de R$ 274,50. Segundo o diretor do FGV Social, Marcelo Neri, os dados do CadÚnico não mostram a realidade dos municípios, o que pode ser um buraco ainda maior, causado pela subnotificação.

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“Tivemos o processo de migração do Bolsa Família para o Auxílio Brasil, mas antes disso, vigorava o auxílio emergencial. Nessa passagem, teve o aumento do valor do benefício em relação ao Bolsa Família, mas diminuiu o número de beneficiários em relação ao auxílio emergencial, o que gera flutuações. O cadastro é um medidor de quem está sendo enxergado pela política, quem está sendo servido ou não”, afirma em entrevista ao G1.

Neri lembra ainda que houve um aumento da população de rua e este público não é contemplado pelos números do CadÚnico. “Existe a questão de visualização, quantas pessoas realmente estão sendo vistas nesses números. Tivemos o aumento da população de rua, muitas dessas pessoas não estão incluídas no Cadastro Único, temos pouco investimento em assistência social para fazer uma busca de todas as pessoas que estão nessa situação”, completa.

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor do Notícia Preta.

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