66 milhões de adultos no Brasil estão com o nome negativado, revela levantamento

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Um levantamento realizado pelo Serasa Experian revela que o Brasil tem, atualmente, 66 milhões de pessoas endividadas, chegando a uma média de 41% de pessoas com o nome negativado. O Estado do Amazonas é o que mais preocupa, com 51,8% dos adultos com o nome registrado nos órgãos de proteção ao crédito. 

O Amazonas é o Estado com maior percentual de endividados – Foto: Freepik

A pesquisa, publicada neste domingo (31), mostra ainda que Rio de Janeiro, Amapá e Distrito Federal concentram, cada um, 49% das pessoas endividadas e, na outra ponta, estão Santa Catarina (34,8%), Rio Grande do Sul (36,3%) e Alagoas (36,8%) com os menores índices de pessoas inadimplentes. 

Renda média

Um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra também que a renda média do brasileiro caiu 8,7% no primeiro trimestre de 2022, em comparação com o ano de 2021. O economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, lembra que esse percentual de pessoas inadimplentes se deve por conta da queda de renda per capita. “Renda per capita é capacidade de pagamento. Ou seja, Estados com essa renda mais alta teoricamente tendem a ter menor inadimplência”, analisa.  

Ele lembra ainda que existe uma dicotomia em relação entre renda e inadimplência. O Amazonas está entre uma das menores taxas de renda per capita do Brasil, mas outros Estados, como Piauí e Distrito Federal possuem situações distintas de renda, e figuram entre os que mais têm pessoas inadimplentes. “O Piauí está entre aqueles com menor renda per capita, no entanto, o Distrito Federal, unidade da federação com maior renda per capita, está entre as maiores taxas de inadimplência”, revela

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“Existem algumas variáveis que, de fato, pesam e que fazem diferença quando a gente olha a distribuição estadual, segundo nossa análise e acompanhamento histórico desses dados”, diz o economista em entrevista ao G1.

Rabi lembra ainda que os Estados exportadores de commodities, como milho, petróleo, soja e minério, por exemplo, têm uma taxa de inadimplência menor que os demais estados. “Isso faz com que esse Estado tenha uma performance econômica melhor do que a média nacional, ou melhor do que os Estados onde não têm essa característica. Isso explica, por exemplo, porque o Piauí, sendo estado que tem uma renda per capita baixa, tem a menor inadimplência — porque o Piauí é a principal fronteira agrícola da soja, por exemplo”, explica. 

Pandemia e o setor de serviços

Nos dois últimos anos, principalmente em 2020, registrou-se um recorde de pessoas inadimplentes no país e os números foram puxados pela pandemia da Covid-19. Ao todo, em 2022, foram mais de quatro milhões de pessoas a mais que o mesmo período de 2021. “A inflação está corroendo o poder de compra e as pessoas não conseguem mais pagar suas contas. Isso faz um estrago brutal na capacidade de pagamento de milhões de brasileiros”, lamenta. 

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor do Notícia Preta.

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