“Ele não supriu as expectativas”: eleitores arrependidos representam grande parte dos que não votarão em Bolsonaro 2022

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Rafael Pastor, de 32 anos, militar que votou em Bolsonaro nas eleições de 2018, hoje se declara arrependido e não pretende repetir seu voto. Ele é um dos 60% dos eleitores brasileiros que rejeitam o atual líder executivo, conforme revelou pesquisa Datafolha divulgada na última semana. Outras pesquisas apontam que Lula segue em ampla vantagem na ocupação do cargo ainda no primeiro turno das eleições. 

Rafael Pastor se diz decepcionado pois, segundo ele, Bolsonaro não cumpriu com suas promessas de campanha: 

Bolsonaro e Lula travam a disputa pelo primeiro lugar no eleitorado brasileiro – Foto: Reprodução

 “Não votei nele, votei no projeto de governo dele o qual não foi efetivado. Aguardei uma maior rigidez de leis penais para homicídio, estupro e liberação do porte de arma. Ele até tentou, mas preferiu ir pra outras pautas e lutas. Então, o que me fez arrepender foi o não cumprimento de todas as promessas do plano de governo. Mesmo pesquisando sobre o candidato ele não supriu as expectativas, então como lição vou tirá-lo do poder”, diz o militar.

Uma pesquisa do IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) revela que 53% dos eleitores de Bolsonaro não repetiram seu voto no próximo ano. O cientista social, mestre em Antropologia em Estudos Relacionados à Identidade, Diáspora e Quilombos, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Lucas Barbosa, explica o porquê essa rejeição vem ocorrendo . 

A rejeição do público ocorreu devido a baixa eficiência do governo, ao longo desses anos foi possível visualizar que não  houve cumprimento das promessas ditas, assim frustrando os apoiadores e para quem já não gostava passou a detestar o presidente. A população também percebeu que existe uma série de escândalos, casos de corrupção e violência que estão ligados ao Governo”, explica o cientista social.

E complementa : “Bolsonaro, como homem branco, comete muitos comportamentos nocivos, racistas e preconceituosos, então, a queda no seu nível de aprovação advém das suas próprias atitudes e gestão”.

A mesma pesquisa efetuada pelo IPEC também revelou que 26% das pessoas que votaram no atual presidente declaram agora que preferem Lula. No levantamento estimulado, segundo o Ipespe, o petista tem 44% das intenções de voto, contra 24% de Bolsonaro. 

Ederval Rocha, de 21 anos, jovem negro, Internacionalista e declarou que até cogitou votar  em Bolsonaro em 2018, mas não o fez, e em 2022 pretende votar em Lula:

Apesar de ter cogitado Bolsonaro como candidato não votei nele porque ainda que o governo dele simbolizasse naquele momento um governo de mudanças, o próprio comportamento e temperamento dele demonstrava que não ia ser do jeito que ele tinha falado, além de ter a evasão dos discursos, fora o seu  histórico sujo“, diz. 

Ederval completou falando sobre seu atual candidato: “Vou no ‘roubou, mas fez’.

Eu acho que o Brasil já está saturado e a 3 via é um fiasco total. Então o ideal é analisar bastante e optar em quem conhecemos e que possa estabilizar nossa situação“, concluiu. 

Sendo um jovem negro, Ederval compōe o grupo de 82% da população negra  que reprova o atual governo, seggundo pesquisa PoderData. 

Segundo, Lucas Barbosa, comportamentos de rejeição como o de Ederval acontecem “devido às atividades presidenciais que constantemente indaga frases racistas ferindo a existência dessas pessoas, além da naturalidade ao falar sobre o genocidio da população indigena. Seu modo operante ceifa constantemente a juventude negra brasileira, então, é inegável que a população negra o rejeita, claro que existe uma ou duas pessoas pretas lá e elas são usadas como peças de manipulação”, explica.

Leia também: Mais de 40% dos brasileiros reprovam a atuação do Congresso, aponta Datafolha

Lucas completa dizendo que as pessoas estão migrando para o governo de esquerda: 

Bolsonaro não foi eleito por ser uma referência política ou por trabalhos desenvolvidos, ele foi eleito porque a população brasileira estava chateada com o governo da época, que era o PT. Não deixando de pontuar as inúmeras fake news vindas da sua campanha política sobre o concorrente, influenciando diretamente a população que passou a desacreditar da política e sua potência, ou seja, a única solução de mudança era tirar de qualquer forma o PT´”, afirmou

E adiciona : “ Essa operação atual de Bolsonaro não condiz com as necessidades brasileiras.  Vejo que pessoas declaram abertamente votar em Lula baseando-se nos seus feitos, nas gerações transformadas, no fim, falta compreensão de coletividade porque acabam polarizando e criando personagens ou invés de políticos que nos atendam”, diz.

TERCEIRA VIA 

A terceira via se refere à um novo candidato, em tese é alguém que não deveria estar interligado à direita ou à esquerda política brasileira. Lucas Barbosa realizou uma leitura sobre o cenário político e observou uma exaustão populacional ao pensar nos candidatos deste segmento: 

Hoje o Brasil vive uma polarização tão grande que parece só existir Bolsonaro e Lula, como se somente essas duas pessoas fossem decidir o destino de duzentas milhões. Esse movimento  gera uma exaustão na população, e a terceira via, ou as outras vias como o voto nulo, branco e até não ir votar comunicam um desgaste político, significa que precisamos mudar nossa noção sobre política“, explica. 

Além disso, o ex-presidente Michel Temer, em entrevista à CNN, fez críticas à terceira via e seus muitos candidatos: “Hoje começo a perceber que a terceira via não vai ser mais unificada, porque há muitos pré-candidatos“, disse.

Entre os nomes pautados de pré-candidatos para presidência nas eleições estão : 

  • Jair Bolsonaro (PL)
  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Sergio Moro (Podemos)
  • Ciro Gomes (PDT)
  • João Doria (PSDB)
  • Rodrigo Pacheco (PSD)
  • Simone Tebet (MDB)
  • Luiz Henrique Mandetta (DEM/União Brasil)
  • Luiz Felipe d’Avila (Novo)
  • Alessandro Vieira (Cidadania)
  • André Janones (Avante)
  • Cabo Daciolo (Brasil 35)
  • Leonardo Péricles (UP)
  • Aldo Rebelo (sem partido)
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Bruna Rocha

Bruna Rocha é a idealizadora do projeto fotográfico Um Olhar Preto, que tem como principal objetivo enaltecer e destacar as múltiplas belezas negras. Além disso, Bruna cursa Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Jorge Amado, em Salvador/BA. Trabalhou como Repórter para Rede Bahia, também prestou serviços para Agência Mural de Jornalismo das periferia, atua como designer gráfico e filmaker.

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