Quatro anos após executarem 5 jovens em Costa Barros, PMs são condenados a 52 anos de prisão

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Os PMs: Antônio Carlos Gonçalves Filho, Fábio Oliveira da Silva, Marcio Alves dos Santos e Thiago Viana Barbosa / Reprodução: TV Record

Os policiais militares Antonio Carlos Gonçalves Filho e Márcio Darcy Alves dos Santos foram condenados a 52 anos e 6 meses de reclusão pelas mortes de cinco jovens em Costa Barros, no Rio de Janeiro, em novembro de 2015. O caso ficou conhecido como a ‘Chacina de Costa Barros’. O carro onde estavam Carlos, Roberto, Cleiton, Wilton e Wesley foi fuzilado com 111 tiros disparados pelos PMs. Os policiais receberam as penas após irem a juri popular. Um julgamento que durou dois dias, começando na quinta-feira (07) e terminando na madrugada desta sábado (09).

Também acusado de envolvimento nos crimes, o PM Fábio Pizza Oliveira da Silva foi inocentado, mas o Ministério Público e os assistentes de acusação já recorreram da decisão e o caso será analisado pelo tribunal.

Na época, os policiais chegaram a dizer que trocaram tiros com os jovens, mas a perícia descartou a versão dos agentes. Não havia indícios de disparos feitos do interior do carro fuzilado. Os PMs foram presos no dia seguinte ao crime. Meses depois, foram soltos por conta de uma liminar do Superior Tribunal de Justiça. Mas, semanas depois, a pedido do Ministério Público estadual, voltaram à cadeia.

Em julho de 2016, Joselita de Souza, mãe de Roberto, morreu de tristeza após depressão profunda que resultou em pneumonia e anemia aos 44 anos.


Carlos, Roberto, Cleiton, Wilton e Wesley jovens assassinados pela PM em Costa Barros

Familiares pedem Justiça

As famílias das vítimas ficaram decepcionadas com a decisão da Justiça: “Sentença não se discute. Mas, infelizmente, dois foram condenados e um foi absolvido. Eu esperava mais”, lamentou Jorge Souza Penha, pai de Roberto (um dos garotos assassinados)

Além da pena pelos cinco homicídios duplamente qualificados, Antonio foi condenado a 8 meses e 5 dias de detenção por fraude processual. O soldado Thiago Resende Viana Barbosa, que também participou da ação abriu mão de seu advogado. Ele será assistido pela Defensoria Pública e um novo julgamento será marcado.

Durante as 20 horas de julgamento foram ouvidas cinco testemunhas de acusação e sete de defesa. Os sete jurados responderam 27 quesitos sobre os 9 crimes em análise. Entre eles, se os réus efetuaram os disparos, se houve chance de defesa da vítima e se absolvem os réus.

Na sala secreta onde os acusados foram julgados um vídeo exibido pela acusação emocionou muitos familiares presentes. As images gravadas por uma moradora da comunidade mostravam os corpos dos rapazes ainda dentro do veículo. Na cena, também aparece um par de luvas jogado próximo ao carro.

Carro fuzilado com 111 tiros

Um outro vídeo usado pela acusação mostra o momento em que um dos PMs tapou uma câmera de segurança próxima ao local dos homicídios poucos minutos antes dos crimes. O aparelho, entretanto, chegou a filmar os agentes colocando dentro de uma viatura engradados de cerveja que haviam sido roubados.

A acusação ainda refutou a tese da defesa de que os policiais haviam trocado tiros com as vítimas. Após o crime, os PMs apresentaram um revólver calibre 38 na 39ª DP (Pavuna) como prova de que um dos jovens teria atirado contra a equipe. A arma, no entanto, estava quebrada e não podia disparar. Os agentes, então, argumentaram que o revólver teria sido avariado quando caiu da mão do atirador. No entanto, uma perícia feita na arma, em junho, também descartou essa possibilidade.

Os advogados de defesa de dois policiais sustentaram a tese de legítima defesa e que o local onde aconteceu as mortes é dominado pelo tráfico de drogas. Já o advogado do cabo Fabio Pizza Oliveira defendeu que seu cliente não disparou nenhuma vez e, no momento dos tiros, estava abrigado, não vendo a ação.

Fonte: Jornal Extra

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