Chacina de Costa Barros: Cinco anos após executarem jovens, três PMs são expulsos da corporação

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Wilton Esteves, Roberto de Souza, Wesley de Castro, Cleiton Correa e Carlos da Silva foram mortos por PMs em Costa Barros em 2015. Foto: Reprodução

Neste sábado (28) a Chacina de Costa Barros completa cinco anos e somente agora, três agentes condenados pela execução de cinco jovens na Zona Norte do Rio, foram expulsos da Polícia Militar do Rio.

Os então soldados Thiago Resende Viana Barbosa, Antônio Carlos Gonçalves Filho e o sargento Marcio Darcy Alves dos Santos foram condenados pela Justiça a 52 anos de prisão pelos assassinatos dos jovens. Os amigos estavam voltando, num Palio branco, da comemoração pelo primeiro emprego de um deles e foram fuzilados com 111 tiros dentro do veículo quando chegavam na favela.

Na época, os policiais chegaram a dizer que trocaram tiros com os jovens, mas a perícia descartou a versão dos agentes. Não havia indícios de disparos feitos do interior do carro fuzilado. Os PMs foram presos no dia seguinte ao crime. Meses depois, foram soltos por conta de uma liminar do Superior Tribunal de Justiça. Mas, semanas depois, a pedido do Ministério Público estadual, voltaram à cadeia.

Em julho de 2016, Joselita de Souza, mãe de Roberto, morreu de tristeza após depressão profunda que resultou em pneumonia e anemia aos 44 anos.

De acordo com a conclusão do processo administrativo aberto pela PM para avaliar a conduta dos agentes, os três, “com sua desastrosa ação, contribuíram para que houvesse esse gravoso fato, na medida em que, ao não agirem em conformidade com as normatizações internas para emprego de policiamento e deram azo para que fossem acusados do extermínio de cinco indivíduos, além de terem permitido a violação do local do crime”. Como não são mais policiais, os três foram transferidos da Unidade Prisional da PM para o Complexo de Gericinó, onde já estão compartilhando celas com outros presos civis.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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