Pesquisa da USP confirma: periferias têm as piores calçadas da cidade de São Paulo

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Uma pesquisa feita pelo Centro de Estudos da Metrópole, da Universidade de São Paulo (USP), confirma que as piores calçadas da cidade de São Paulo estão nas periferias. Os caminhos mais complicados de serem usados a pé, estão na Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo e em três bairros da Zona Leste da capital: Guaianases, Cidade Tiradentes e Sapopemba.

Em contrapartida, o estudo aponta que as regiões que têm as melhores calçadas ficam na Mooca, Lapa, Pinheiros, Vila Mariana e no Centro da cidade.

Prefeitura de São Paulo realizando obra de zeladoria na região da Lapa, Zona Oeste da capital. Foto: Adeleke Anthony Fote/Estadão Conteúdo

Lei sendo descumprida

De acordo com um decreto municipal de 2020, as calçadas da cidade de São Paulo devem ter 1,2 metro de faixa livre para as pessoas caminharem e mais 70 centímetros de faixa de serviço, que é o espaço para vegetação, postes, placas de sinalização, bancos, lixeiras, etc. No entanto, na prática, ainda de acordo com a pesquisa da USP, isso não ocorre.

A pesquisadora Bruna Pizzol, do Centro de Estudos da Metrópole, explica que a população de baixa renda usa muito mais as calçadas para chegar até o transporte público, mas são as mais prejudicadas.

“De fato, há algumas avenidas principais da periferia em que a prefeitura investe, mas quando você analisa as vias coletoras e locais, que são as vias que entram nos bairros, as vias menores, normalmente a prefeitura investe menos nessas vias, que não são as principais”, afirma.

“Identificamos que as zonas Centro e Oeste foram as que tiveram maior volume de investimento por residente enquanto as demais teve um volume menor e acho que isso é preocupante justamente porque no Centro há também um alto volume de deslocamentos a pé, mas, relativamente, você tem mais deslocamentos na periferia. Toda a cidade tem que ser tratada de uma forma igualitária”, complementou a pesquisadora.

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Thiago Augustto

Um filho negro adotado. Thiago Augustto faz questão de marcar sua existência pela raça e pela oportunidade de viver. Transformou o tabu da adoção num grande motivo de orgulho. É criador de conteúdo e palestrante. Se formou em jornalismo em 2014, desde então, trabalha na TV Globo Recife, atuando como produtor e repórter. No Notícia Preta, é editor e coordena os colaboradores das regiões norte e nordeste. Em 2021, criou o Futuro Black - um banco de talentos e de fontes profissionais pretas.

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