Brasil tem 1.843 km² de favelas, aponta estudo

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Na data que celebramos o Dia da Favela, nesta quinta(4), um levantamento realizado a partir de imagens via satélite, captadas através do projeto MapBiomas (iniciativa multi-institucional que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia), foi divulgado e mostrou que o Brasil conta com um total de 1.843 km² de favelas. Esse número corresponde a oito vezes o território de Recife, e corresponde ao dobro da extensão que as favelas ocupavam em 1985, que era de 897 km², de acordo com o estudo.

As palafitas dominam a paisagem em Manaus – Foto: Valter Calheiros

Ainda segundo o levantamento, o crescimento corresponde a 105% no período e ficou acima da urbanização geral, que chegou a 95%, nos últimos 35 anos. O estudo revela ainda que 18% desse total corresponde a ocupações e favelas na Amazônia. “A análise temporal das áreas ocupadas informalmente em todo o país mostra que elas são mais sensíveis às políticas econômicas e sociais, crescendo mais em períodos de retração do PIB [Produto Interno Bruto]”, informa o MapBiomas no relatório.

Leia também: Número de favelas dobrou nos últimos 10 anos, segundo IBGE

Entre as cidades, Belém lidera em áreas de favelas, com 51%, seguida por Manaus, com 48%. Segundo o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), realizado em 2020, Belém e Manaus eram as cidades com maior número de domicílios ocupados em aglomerados subnormais: 55,5% e 53,3%, respectivamente.

De acordo com Julio Cesar Pedrassoli, um dos coordenadores do levantamento, olhar para as ocupações informais pelo ângulo da adaptação às mudanças do clima é fundamental para evitar tragédias. “A combinação desses dados deve acender uma luz amarela para os gestores públicos porque ela cria as condições perfeitas para desastres urbanos“, afirmou em entrevista ao UOL.

Os dados mostram também que a área urbanizada no país praticamente dobrou. Em 1985 era de 21mil km² e em 2020 chegou a 41 mil km². No entanto, Pedrassoli ressalta que a urbanização foi feita, em sua grande maioria, sobre áreas de pastagens. “O levantamento mostrou que das áreas urbanizadas em 2020, pouco mais de um terço (34%) eram áreas de pastagens e áreas de uso misto de agricultura e pastagem e 13% eram de vegetação nativa em 1985. As áreas utilizadas para a expansão urbana refletem o uso do solo predominante em cada região“, finaliza.

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