No Acre, indígenas estudam sobre tocos de madeira e embaixo de árvore

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Crianças indígenas da Escola Keã Huni Kuī, localizada na na Aldeia Água Viva, da Terra Indígena Carapanã, na cidade de Tarauacá, interior do Acre, estudam em um espaço improvisado, sentadas em tocos de madeira e embaixo de árvores. A denúncia veio de um professor que filmou a situação, na última segunda-feira (11).

Os alunos não têm lugar para colocar mochilas, que ficam nas costas ou no chão de terra – Foto: Reprodução/G1

A falta de estrutura fez a direção da escola mudar os alunos de local. O cacique da aldeia, Tuī Huni Kuī, que também é professor na unidade disse que, para atender a todos os estudantes, foram obrigados colocar alguns do lado de fora. Ele lembra também que a situação não é nova. “É uma situação que já vem ao longo do tempo. A gente sabe que teve um problema, passamos por uma situação difícil com a Covid-19, enfim, mas, isso não justifica. A escola que nós temos foi construída em 2006. Hoje, realmente não tem condições mais de os alunos estarem dentro. Quando é sol, bate os raios de sol, quando é chuva, molha tudo”, conta em entrevista ao G1.

O cacique disse ainda que a comunidade já tentou alternativas, mas que também não surtiram efeito. “Nós havíamos colocado os alunos para um cupixal [maloca/casa tradicional], que também já não tem condições. Então, hoje estamos trabalhando com os alunos em um espaço embaixo dos pés de plantas”, diz. “Nesse tempo de verão a gente pode trabalhar, mas tem a questão da poeira, que tem muita, e são problemas difíceis que a gente está enfrentando por falta dessa estrutura”, completa.

Escola Keã Huni Kuī está sem estrutura para receber os alunos — Foto: Arquivo pessoal

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O professor explica o motivo da situação e como chegou a tal ponto e que o poder público precisa tomar providência para sanar o problema. “O que não está funcionando bem é o telhado porque são telhas ecológicas. Tivemos várias cadeiras, mas, com o passar do tempo, foi estragando e quando começamos a trabalhar no cupixal foi molhando. É um momento muito difícil e temos que buscar uma alternativa para que estas crianças nas terras e escolas indígenas, não só na nossa escola, mas várias escolas indígenas, passem por esse problema. Então, temos que buscar uma alternativa junto à secretaria de estado”, afirma.

Em nota, a Secretaria de Educação Cultura e Esportes (SEE) disse que a escola está sendo reconstruída e a previsão de entrega é no final de agosto deste ano e que as cadeiras escolares também serão repostas.

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor do Notícia Preta.

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