MESTRE MOA: assassinado no bar pela intolerância e nas redes sociais pelo discurso de ódio

Desde o final das apurações do primeiro turno das eleições 2018, usuários de redes sociais disseminam mensagens com discurso de ódio baseado na apuração das votações. O montante de mensagens compartilhadas trata de modo violento a região Nordeste do país, em que a maioria do eleitorado votou no candidato Fernando Haddad do PT. Só na Bahia foram 60,28% dos votos.

Não é a primeira vez que a Bahia é execrada pela postura eleitoral, repercutindo em discussões políticas que trazem características de xenofobia e racismo estrutural. No entanto, desta vez a intolerância chegou à mesa de um bar em Engelho de Brotas, em Salvador, e resultou no assassinato do capoeirista mestre Moa do Katendê com 12 facadas, na última segunda-feira, por um eleitor do candidato à presidência pelo Partido Social Liberal (PSL).

“Este crime trata-se de 12 facadas em um homem negro da comunidade, que levava seu discurso abertamente em defesa aos trabalhadores, por um assassino confesso que declarou ser eleitor de Bolsonaro”, declarou o mestre Duda, presidente do Conselho Gestor da Salvaguarda da Capoeira do Estado da Bahia e parceiro de trajetória política de mestre Moa.

Segundo relato, mestre Moa atuava na salvaguarda da Capoeira, além de participar de discussões sobre políticas para povos de santo e em projetos sociais realizados na comunidade do Dique Pequeno, no Engenho Velho de Brotas. “Ninguém tem nenhum relato anterior sobre discussões com mestre Moa, ele sempre foi muito tranquilo e reunia muitas pessoas em volta dele”, ressalta mestre Duda.

Romualdo Rosário da Costa, mais conhecido como  mestre Moa do Katendê, nasceu em 1954 em Salvador, foi capoeirista, compositor, percussionista, artesão e educador. Ogan do Ilê Axé Omin Bain, localizado no Dique Pequeno, se consagrou em 1977 quando foi campeão do Festival da Canção do Ilê Aiyê. Em 1978, Mestre Moa fundou o Afoxé Badauê que marcou a história do carnaval baiano cantado por Gilberto Gil e Caetano Veloso. Através do Grupo Afoxé Amigos de Katendê, criado em 1995 em parceria com amigos, mestre Moa desenvolvia trabalhos em diversas regiões do Brasil e internacionalmente.

Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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