Livre pra menstruar e estudar

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Por Rozana Barroso*

Você já imaginou usar papel, jornal ou miolo de pão para conter a menstruação? Essa é uma realidade dura, em especial entre os jovens. Em meio a uma pandemia e, consequentemente, o agravamento da desigualdade social, essa situação se tornou ainda pior. Como ativista da Educação, já me deparei com tantos relatos tristes sobre este assunto que, para muitos, são inimagináveis. Em minhas andanças pelo país, conheci uma garota que, aos 13 anos, já havia abandonado a escola há dois. Ela me disse: “faltava uma semana todo mês, às vezes 10 dias, não tinha como ir de paninho para assistir às aulas. Aí foi ficando difícil e abandonei…”.

Manifestação contra o veto presidencial – Foto: Karla Boughoff

Esse é só um dos inúmeros relatos que escutei. De acordo com o estudo “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos”, realizado pelo UNFPA e UNICEF, 713 mil pessoas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seu domicílio. Além disso, é importante reforçar que as pessoas mais atingidas pela pobreza menstrual são as negras e as das periferias. Ainda segundo a pesquisa, uma a cada quatro pessoas já faltou à aula por não poder comprar absorvente.

Por todas essas razões, construir o Projeto de Lei junto às deputadas e deputados foi um passo essencial para garantir o mínimo para essas pessoas e que este não fosse mais um empecilho para que deixassem de estudar. Esta é uma questão humanitária e de importância para a Educação. Combater a evasão escolar, principalmente com tantas dificuldades agravadas na pandemia, devia ser objetivo número um. Não podemos perder mais ninguém! É preciso uma ação séria que, infelizmente, o Governo de Bolsonaro não é capaz de fazer. 

O veto de Bolsonaro à distribuição gratuita de absorventes em escolas públicas é uma crueldade surreal. Mas nós, estudantes, não nos calamos! Já estamos nos articulando e pressionando pela derrubada imediata do veto. Acompanhamos de perto a construção dele e lutaremos até o último segundo pela sua aprovação na íntegra. Para além disso, acabamos de lançar uma campanha solidária chamada Livre para Menstruar. O objetivo é fazer uma arrecadação para distribuirmos absorventes aos estudantes de todo Brasil. 

Neste momento de governo genocida, a solidariedade é fundamental para impedirmos ainda mais a evasão escolar. A dignidade menstrual precisa se tornar uma realidade para todos os jovens brasileiros. Precisamos evoluir como sociedade e como humanos. Afinal, estamos em 2021, não é mesmo?

*Rozana Barroso tem 22 anos, natural de Campo dos Goytacazes (RJ), é estudante de cursinho pré-vestibular popular, ativista da Educação e presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES)

Foto: Karla Boughoff

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