Juiz branco decide que Júlio Cocielo não foi racista e suspende multa de R$ 7,5 milhões

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O juiz Caramuru Afonso Francisco, da 18ª Vara do Foro Central Cível, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), suspendeu a multa de R$ 7,5 milhões aplicada ao YouTuber Júlio Cocielo por comentários racistas realizados contra o jogador Kyllian Mbappe, na Copa do Mundo em 2018.

Em um comentário no Twitter, Júlio disse que Mbappe “conseguiria realizar um arrastão top na praia”. Segundo o juiz, os comentários se referem ao estereótipo e não têm teor racista.

Os promotores de justiça Eduardo Valério e Bruno Orsini Simonetti, encontraram, além desta postagem, outras publicações com teor racista na conta do twitter do youtuber. Em uma delas ele diz “o Brasil seria mais lindo se não houvesse frescura com piadas racistas. Mas já que é proibido, a única solução é exterminar os negros”. Em outro post, ao se referir a um atrito com uma vizinha ele publicou “gritei ‘VAI MACACA’ pela janela e a vizinha negra bateu no portão de casa pra me dar bronca”. Foi movida uma ação civil pública pelo Ministério Público de São Paulo no ano de 2018 e, em 2020, Júlio Cocielo virou réu no processo.

Para Caramuru Afonso, Júlio não defendeu a supremacia racial e não foi racista ou discurso de ódio de potencialidade ofensiva. Ainda segundo o magistrado, ele fez uma piada ao estereótipo, levando a sociedade para uma reflexão e não com teor racista. “Uma sociedade que se diz fraterna, mas que também prima pela liberdade e que jamais pode compactuar com a imposição do discurso politicamente correto”.

Ele continuou argumentando que “tem-se claramente que é a este grupo que pertence o requerido que, se hoje faz parte de uma classe social dita alta, por causa do sucesso que alcançou em sua atividade, é, sim, de um histórico nitidamente vinculado à plebe e às camadas onde, normalmente, estão os negros e ditos pardos ou mestiços, em decorrência da própria história do país, o último a abolir a escravatura no Ocidente”.

De acordo com o Caramuru Afonso Francisco, a “macaca” do comentário de Júlio se referia ao time Ponte Preta, pois ocorreu no dia do jogo do time, como falou Cocielo. Caramuru finalizou fazendo os seguintes questionamentos para defender a posição da decisão referentes as publicações do YouTuber: “Procurou o requerido associar os negros a macacos, ou quis denunciar, em tom de humor, o estereótipo existente? O comentário sobre o jogador da seleção francesa se deveu à cor da sua pele ou à sua velocidade? Há vinculação da cor negra ao crime ou do próprio ambiente dos artistas de rap, que enaltecem a droga e o próprio narcotráfico?”, Questionou.

Ainda cabe recurso à decisão.

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