Jovem afirma ter sofrido injúria racial em loja no Centro do Rio

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Uma mulher afirma ter sofrido injúria racial dentro de uma loja no Saara, mercado popular localizado no Centro do Rio de Janeiro, nesta terça- feira (14), após ser acusada de furto. Ao deixar a loja Unistar Presentes, Vanessa Coelho e uma amiga foram abordadas por uma funcionária que pediu a jovem para “devolver a carteira que estava na bolsa”. 

Em entrevista ao jornal o Dia, a universitária contou que entrou na loja com a amiga mas como não havia gostado de nada, decidiram ir embora. Vanessa carregava uma sacola de verduras que, segundo a funcionária, escondia uma carteira que era vendida no local.“Saindo da loja, a funcionária que fica na porta veio e falou bem no meu ouvido, baixinho: ‘Devolve a carteira que está na sua bolsa’. Pedi para ela repetir, e ela não repetiu”, contou.

Vanessa Coelho foi abordada saindo da loja por uma funcionária – Foto: Arquivo Pessoal

Em meio a contradições, a funcionária reconheceu o erro e se desculpou. “Ela veio contando que não tinha falado aquilo, que apenas estava indicando que a carteira era R$ 15. No fim assumiu que tinha errado, que tinha se confundido e pediu desculpas, que poderia assumir o que falou, mas que não envolvesse a loja”, disse Vanessa.

Muita abalada, Vanessa recorreu às redes sociais para desabafar sobre a “confusão” cometida pela funcionária. “Confusa se eu tinha furtado ou não. Não vamos deixar que nos confundam mais com MARGINAIS. Já fomos confundidos, escravizados, humilhados, acoados, subjugados por 300 anos oficialmente“, escreveu.

Burocracia Para registro

Após o ocorrido, Vanessa ligou para a Polícia Militar, mas foi informada de que a corporação não atendia esse ‘tipo de conflito’, sendo orientada a procurar uma delegacia. Vanessa esteve na noite desta quarta-feira (16) na 5ª DP (Mem de Sá), mas houve recusa de tipificar o crime como injúria racial, sendo registrado como calúnia. A estudante já havia procurado a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), mas não conseguiu denunciar o que acredita ser um crime racial, sendo orientada a procurar a distrital do bairro. “O sistema continua falho para questões raciais”, lamentou.  

O outro lado

Segundo a gerente da Unistar Presentes, Julia Ji, a funcionária que abordou Vanessa estava em período de experiência e que trabalhava no local há cerca de 10 dias, mas já foi dispensada após o caso. A gerente lamentou o ocorrido e explicou que a abordagem precisa ser feita quando há certeza. “Tem que primeiro olhar a câmera, checar bem para ter certeza e depois falar com a pessoa”, disse Ji

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

1 Comment

  • Que coragem dessa jovem! Nossa conduta como Negros tem q ser essa PROCEDERMOS, mas, com a devida licença, nao entendo ter sido injúria racial pela narrativa acima. A retórica da vítima sobre a criminalização da nossa cor foi irretocável!

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