Sem público, jogos de futebol registraram menos casos de racismo em 2020

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Foto: Samara Miranda/Remo

Sem público nos estádios, as partidas de futebol no Brasil registraram menos casos de racismo em 2020 no comparativo com 2019. A redução foi de 54%, segundo o Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol realizado pelo Observatório Racial do Futebol. O levantamento foi divulgado nesta sexta feira (08) em evento transmitido pelo YouTube e Facebook, e que contou com a participação de Silvio almeida, Rafaela Seraphim e da jogadora Suellen Rocha.

Segundo Marcelo Carvalho, diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, todos os casos de racismo levantados podem ser comprovados. “Nós não estamos falando de casos alheios, estamos falando de casos vinculados na mídia com fonte, nome dos evolvidos e isso é importante pois mostra para sociedade que o racismo está presente quando a gente mostra e dar nome para esses casos.”, informou Marcelo.

O estudo do Observatório, em parceria com o Museu do Futebol e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mostrou que em 2020 foram registradas 31 ocorrências de discriminação racial, já em 2019, o número foi de 67 casos. Ainda assim, os dados sobre o racismo contra jogadores ocorridos na internet apontaram um aumento de 23%. O estado do Rio Grande do Sul, foi o maior com numero de denuncias.

Os torcedores são responsáveis por 64% dos ocorrências de discriminação racial nos estádios. Por causa da pandemia, os jogos de futebol no Brasil foram suspensos no primeiro semestre de 2020, retornando somente no segundo semestre sem torcidas. Foram registrados também 12 casos de LGBTfobia no futebol brasileiro, 11 de machismo e 4 de xenofobia. 

O Relatório Anual da Discriminação Racial tem dados nacionais e internacionais de outros esportes, podendo ser acessado pelo site do Observatório Racial do Futebol. No lançamento do relatório, também foram divulgadas ações de combate ao racismo e busca por diversidade como a que o Esporte Clube Bahia está realizando, como a utilização de nomes de personalidades negras nas blusas em alguns jogos. O jogador Paulinho, do Bayer Leverkusen, falou sobre a importância da luta contra o racismo no futebol. “Acredito que hoje, na sociedade em que vivemos, não tem mais espaço para esse tipo de preconceito”, disse o jogador do clube alemão.

Em 2020, o jogador brasileiro do time Paris Saint-Germain, Neymar Júnior, foi chamado de macaco durante uma partida de futebol contra o Olympique de Marselha. Na ocasião, o zagueiro Álvaro González, do time rival, xingou Neymar de  ”macaco filha da p…”, após o ocorrido, o jogador foi expulso. 

Leia também: Quatro pessoas são presas por ataques racistas a jogadores da seleção inglesa

Ocorreu também no mesmo ano outro caso de racismo, no jogo entre Napoli e Bahia, o comentarista Edson Florão fez o seguinte comentário ao se referir a uma vantagem que as jogadoras do Bahia teriam: “acaba tendo que rifar a bola, facilitando especialmente o sistema defensivo da equipe do Bahia, que está aí com a sua vantagem de estatura, com esses cabelos exóticos, pelo menos uma meia dúzia. A Aline tem o cabelo mais exótico me parece dessa equipe do Bahia”, disse Edson.

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