A atualização mais recente da “lista suja” do trabalho escravo incluiu um dos maiores resgates já registrados no país, envolvendo uma obra financiada com recursos públicos no Mato Grosso. A fiscalização encontrou 586 trabalhadores em condições análogas à escravidão, sendo 468 vítimas de tráfico de pessoas para exploração laboral.
O caso ocorreu em uma usina de etanol em construção em Porto Alegre do Norte, ligada à empresa Três Tentos Agroindustrial. As irregularidades foram identificadas após uma operação realizada em julho de 2025, iniciada a partir de denúncias relacionadas a um incêndio em alojamentos.
A auditoria fiscal constatou que trabalhadores foram recrutados principalmente nos estados do Maranhão, Pará e Piauí. Muitos tiveram o transporte pago antecipadamente pelas empresas e passaram a dever esse valor, o que dificultava o retorno aos seus locais de origem. A fiscalização concluiu que essa dinâmica caracterizou tráfico de pessoas em 468 casos.
No local, os trabalhadores viviam em condições precárias. Após o incêndio, parte deles foi transferida para casas, hotéis e até um ginásio, onde a inspeção encontrou superlotação e ausência de estrutura básica. “Havia quatro, cinco trabalhadores dentro de um quarto, gente pernoitando na cozinha, em todos os cômodos, com os colchões grudados um no outro”, afirmou a auditora-fiscal Flora Regina Pereira Ao Brasil de Fato.
A investigação também identificou jornadas exaustivas, ausência de descanso semanal e um sistema paralelo de registro de ponto, utilizado para ocultar a carga real de trabalho. Em um dos casos, um trabalhador acumulou mais de mil horas extras em poucos meses segundo informações.

As empresas Tao Construtora e Construtao Engenharia foram autuadas por diversas irregularidades trabalhistas segundo o MTE. A Três Tentos, responsável pela obra, também foi responsabilizada por não garantir condições adequadas aos trabalhadores terceirizados de acordo com MTE.
O empreendimento contava com financiamento de R$ 500 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, posteriormente suspenso após a operação.
Após o resgate, as empresas firmaram termos com o Ministério Público do Trabalho prevendo indenizações, melhorias nas condições de trabalho e medidas de prevenção. As companhias afirmaram que os acordos não representam reconhecimento de irregularidades.
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