“Essa doença (Coronavírus) entrou pela elite do Brasil. Está começando a entrar nas comunidades periféricas”, diz ministro da saúde

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Durante coletiva, ministro da Saúde responsabiliza elite brasileira pela disseminação do Coronavírus e defende isolamento social

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Foto: Reprodução

No último sábado (28), durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta responsabilizou socialmente a elite brasileira pela disseminação no país do Covid-19, o novo Coronavírus. Além disso, ele mudou mais uma vez seu discurso sobre as medidas de prevenção do vírus, enfatizando agora a necessidade do isolamento social. Anteriormente, Mandetta chegou a criticar a medida de quarentena em todo o País.

“Essa doença (Coronavírus) entrou pela elite do Brasil, elite econômica. Aqui em Brasília, os casos são quase todos aqui no Plano Piloto e no Lago Sul. Não chegou na Samambaia, não chegou na periferia do sistema. Como no Rio de Janeiro: a Barra da Tijuca, o Leblon, ainda não chegou, está começando a entrar nas comunidades. O tempo que a gente tem para preparar o melhor possível, é agora. Nós precisamos. Agora minuto vale hora.”, declarou Mandetta.

Ainda não há um balanço oficial de casos do Coronavírus em comunidades periféricas brasileiras, até o momento sabe-se apenas dos casos confirmados com esse recorte pela Prefeitura do Rio de Janeiro: Cidade de Deus (1), Manguinhos (2), Parada de Lucas (1) e Vidigal (1).

Segundo o ministro da saúde, devido à redução de circulação de pessoas, houve queda na taxa de ocupação de leitos de UTI, “Mais uma razão pra gente ficar em casa, parado, até que a gente consiga colocar os equipamentos na mão dos profissionais que precisam. Porque se a gente sair andando todo mundo de uma vez vai faltar pro rico, pro pobre, pro dono da empresa, pro dono do botequim, pra todo mundo”.

Um desafio mundial

Mandetta reforçou que o desafio do novo Coronavírus é inédito no mundo todo e que a doença ataca não só a saúde, mas várias estruturas da sociedade. “(…) Preste atenção: essa epidemia é totalmente diferente da H1N1. Não há receita de bolo. Quem raciocinar pensando ‘nesta aqui foi assim’, vai errar feio. Essa não é assim. Nem daqueles que falam ‘ah, essa doença vai matar só 5 mil, só 10 mil’. Não é essa a conta, a conta é: esse vírus ataca o sistema de saúde e ataca o sistema da sociedade como um todo. Ele ataca logística, educação, economia, ele ataca uma série de estruturas no mundo”, disse ele.

Divergências

O ministro da saúde ainda criticou indiretamente as pessoas que foram às ruas em carreatas nos últimos dias motivadas pelo pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, que se declarou contrário ao isolamento social. “Daqui a duas semanas, três semanas, os mesmos que falam ‘vamos fazer carreata’, vão ser os mesmos que vão estar em casa. Não é hora agora”, disse Mandetta.

Ele também afirmou que a medida de isolamento vertical – que mantém apenas grupos de riscos em isolamento – não é indicado no momento. “As crianças e os jovens, muitas vezes são assintomáticos, não sabem (que portam o vírus), eles simplesmente transmitem. Como eles voltam para casa, eles podem contaminar 5, 6 pessoas.”, explicou o ministro.

Rumores de demissão

Respondendo aos rumores sobre possível demissão, devido às divergências de opiniões neste momento com Bolsonaro, o ministro salientou “Vou ficar aqui, junto com vocês, enquanto o presidente permitir”.

Mesmo sustentando um discurso contrário ao do presidente durante a coletiva de imprensa, ao final o ministro da saúde elogiou Jair Bolsonaro pela preocupação com a economia do país. “O presidente está certíssimo quando ele fala ‘a crise econômica vai matar as pessoas, as pessoas não aguentarão a fome’. Está certíssimo, e nós somos cem por cento engajados em achar a solução junto com a equipe da economia”, finalizou  Mandetta.

Confira o pronunciamento completo do ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta.


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Samily Loures

Baiana em terras capixabas, é formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo). Com atuação em publicidade social e pesquisa em Identidade Negra, acredita que a comunicação pode ser instrumento de mudanças sociais. Apesar de militante e sagitariana, consegue levar a vida com serenidade. E deboche.

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