Em abril acontecerá a 5ª Mostra de Cinema Negro, em Sergipe

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A Mostra de Cinema Negro chega a sua quinta edição. Foto: Pritty Reis

A arte é uma dos diversos segmentos que escancara o quanto o racismo estrutural é presente. Nos filmes é notável a pouca representatividade de negros, por exemplo, nas produções brasileiras os negros representam apenas 13,3% do elenco. Já os homens brancos permanecem como aqueles com mais espaço no cenário, eles são maioria entre os diretores (75,4%), produtores (59,9%) e também nos elencos segundo a pesquisa Diversidade de Gênero e Raça nos lançamentos brasileiros de 2016 divulgada pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). 

Diante dessa desigualdade, emergiu da população afro-descendente uma nova forma de fazer cinema, aquela que os negros podem se ver, tratar das suas questões e, além disso, serem os produtores da suas imagens. Assim, a 5 anos surgiu a Mostra de Cinema Negro, Egbé, em Sergipe. Esse nome Yorubá tem um significado importante para equipe, como explica a Assessora de comunicação da Mostra, Taylane Cruz:

“Queríamos o nosso ‘quilombo cinematográfico’. Fomos lá e fizemos. E foi preciso esse espírito de aquilombamento, de comunidade para criar a mostra. Nossa equipe, desde o início, tem como foco um bem comum, um objetivo que é o de agregar o povo preto às telas cinematográficas. Egbé, de forma bem resumida, significa justamente uma comunidade que trabalha por um bem comum.”

Confira os filmes selecionados para a 5º Mostra de Cinema Negro, em Sergipe.

Público entretido com a mostra do ano passado. Foto: Pritty Reis

Neste ano, a mostra acontecerá de 04 a 10 de abril, com o objetivo de fortalecer o Cinema Negro, como afirma a assessoria “Um espaço para dar visibilidade somente ao cinema negro, um espaço em que pudéssemos nos pensar enquanto pertencentes a um grupo historicamente violentado e entendermos em que lugar estamos hoje. Queríamos um espaço para conhecermos o que nossas e nossos cineastas têm criado, as histórias que têm contado.”

A representatividade então vai além de ter atores negros, é essencial que seus diretores, roteiristas e produtores também assim o sejam, a cerca desse assunto a mesma pesquisa da Ancine informa que “Quando o diretor de um filme é negro, a chance de o roteirista também ser negro aumenta em 43,1%. Quando o diretor de um filme é negro, a chance de haver mais um ator ou atriz negros no elenco aumenta em 65,8%. Quando o roteirista de um filme é negro, a chance de haver mais um ator ou atriz negros no elenco aumenta em 52,5%”.

Ciente dessas questões durante esses 5 anos, passaram pela Egbé nomes importantes e precursores do cinema negro, cineastas que estão construindo um espelho onde o reflexo tenha outra cor, como: Everlane Moraes, Luciana Oliveira, Janaína Oliveira, Edileuza Penha de Souza, entre outros(as). 

O tema da edição deste ano é Afrofuturismo, movimento que utiliza a música, as artes plásticas, a moda, entre outras coisas e que estabelece o encontro entre a história, o resgate da mitologia e cosmologias africanas com a tecnologia, a ciência, o novo e inexplorado. O Afrofuturismo surgiu na década de 60, em paralelo a efervescência da cultura Beatnik. É um tema que tem sido muito pensado pelo movimento negro uma vez que faz uma conexão cosmológica entre o futuro e passado do povo negro, afirma Taylane.

Também nesta edição serão homenageadas duas mulheres negras com uma trajetória importante dentro do Cinema Negro, são elas Beatriz Nascimento e Cristina Amaral. Beatriz foi historiadora, professora, roteirista, poeta e militante. Nascida em Aracaju\SE em 1942, se dedicou aos estudos do negro e ao conceito de Quilombo, esteve compromissada com a construção da história do negro brasileiro sob a perspectiva dele mesmo. Cristina é montadora formada pela USP, trabalhou na montagem de filmes importantes como Orí (direção de Raquel Gerber e texto e narração de Beatriz Nascimento), na qual foi assistente de montagem. Montou filmes “Alma corsária” de Carlos Reinchenbach, “Serras da desordem” de Andrea Tonacci, dentre outros longas e recentemente o curta-metragem “Sem asas” da cineasta Renata Martins, informa a assessoria.


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Aila Omowale

Mulher negra em movimento, estudante de jornalismo e nordestina. Sonho que jornais como o Notícia Preta se multipliquem para que o nosso povo tenha informação antirracista e de qualidade como direito em suas vidas.

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