Covid-19 e Racismo: reflexos na terceira idade negra

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Negros representam apenas 19% da população brasileira vacinada (Foto: Hegon Corrêa/Governo de Goiás)

Além de todas as dificuldades de vida que a população negra enfrenta no decorrer da vida por conta do racismo estrutural, no ano de 2020 a ela se deparou com um novo desafio para alcançar a longevidade. No final do mês de fevereiro, o Brasil identificou a primeira contaminação pelo coronavírus e, em menos de um mês, o primeiro óbito: uma mulher negra, funcionária doméstica de 63 anos, hipertensa e diabética, chamada Cleonice Gonçalves. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera como idoso todo indivíduo com 60 anos ou mais. Informações divulgadas no ano de 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a expectativa de vida do brasileiro ultrapassa os 76 anos de idade, porém há uma diferença entre a expectativa de vida de idosos brancos e negros, advinda dos desafios que a população negra encontra para garantir a longevidade – e, em tempos de covid-19, pessoas negras mais uma vez vêm sendo diretamente prejudicada.

“Negros tendem a ter uma expectativa menor de vida comparada à dos brancos, pela situação social que a maior parte da população negra se encontra em trabalhos e empregos subalternos, recebendo menos e não tendo acesso à saúde de qualidade, então, acabam sendo mais suscetíveis a doenças que tornam sua expectativa de vida reduzida”, explica a Cientista Política Juliana Silva.

A pandemia ainda se faz presente no cenário mundial, e no Brasil, de acordo com dados da ONG Instituto Polis – organização da sociedade civil de atuação nacional, constituída como associação civil sem fins lucrativos, apartidária e pluralista -, a população negra é a que mais morre em decorrência do covid-19. Um estudo realizado no município de São Paulo em 2020 indica que entre homens negros, são 250 óbitos a cada 100 mil habitantes, enquanto entre homens brancos 157 a cada 100 mil. O mesmo acontece entre as mulheres, sendo, 140 mortes por 100 mil habitantes, contra 85 por 100 mil entre as brancas. 

O dia 18 de janeiro de 202, ficou marcado pelo início da vacinação contra covid-19 em todo país, e a primeira pessoa a ser vacinada foi Mônica Calazans, enfermeira, negra de 54 anos. Devido à terceira idade ser o grupo mais vulnerável ao vírus, o cronograma de vacinação do Brasil começou com idosos acima de 89 anos. Outro dado relevante para este cenário é que, embora negros representem 56% da população brasileira, a terceira idade negra no país representa apenas 19% dos quase 5 milhões de vacinados no país, segundo dados do Ministério da Saúde.

“A baixa vacinação contra o covid-19 na população negra se dá por causa do racismo estrutural, que é excludente”, diz Juliana.

A vacina é uma conquista da ciência brasileira e do SUS, e a população negra, segundo informações da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), representa 67% dos brasileiros que dependem unicamente e exclusivamente do SUS – e também são o grupo mais propenso a desenvolver diabetes, tuberculose, hipertensão e doença renal crônica, o que os coloca ainda mais no grupo de risco da covid-19, . Apesar disso, não são vistos como prioridade no calendário de imunização.

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