“O racismo é uma coisa rara no Brasil”, diz Bolsonaro em entrevista

Em um país onde o salário médio dos negros equivale a  53% do salário dos brancos e onde 71% das vítimas de homicídios são negras, o presidente do Brasil ousa dizer que “O racismo é uma coisa rara no Brasil”.

A declaração que visa minimizar o racismo estrutural presente no Brasil foi dita nesta terça-feira (07), no programa da apresentadora Luciana Gimenez, na Rede TV.

Reprodução/RedeTV

Para Renato Ferreira, advogado da Educafro e doutorando em Direito na Universidade Federal Fluminense (UFF), a declaração de Bolsonaro demostra um profundo desconhecimento da realidade vivida pelos negros brasileiros: “Para além de não querer discutir um assunto tão importante que é a discriminação racial, ele ainda menospreza a relevância que o assunto tem na sociedade brasileira. Enquanto presidente ele deveria cumprir as leis e combater todo tipo de discriminação. Racismo é crime . Ao invés de negar a existência do racismo o presidente poderia criar políticas públicas voltadas para a promoção da igualdade racial”.

O tom da entrevista foi bem informal. A apresentadora e o presidente falaram muito mais sobre amenidades do que sobre política. O capitão da reserva disse que não ser racista pois, na década de 70, teria “salvado” um colega negro do Exército de se afogar. Na sequência, disparou: “No Brasil é uma coisa rara o racismo. O tempo todo tentam jogar o negro contra o branco”.

No início da conversa, Bolsonaro chegou a agradecer Luciana Gimenez pelo espaço que teve em seu antigo programa, o “Superpop”, quando ganhou projeção nacional. “Agradeço a liberdade que me deu lá”.

Um dos poucos momentos em que Bolsonaro falou sobre política foi quando Luciana Gimenez, citou a reforma da Previdência. O presidente se limitou a dizer: “Se não aprovar, o Brasil quebra, infelizmente”. Sem se aprofundar sobre o que realmente é esta reforma.

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