Após ser criticada por campanha publicitária sem rappers e funkeiros, Lacoste tenta pagar publicidade de artistas com roupa

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Depois de inaugurar seu primeiro perfil regional, voltado para o Brasil, a Lacoste divulgou na última semana uma campanha publicitária pautada na diversidade trazendo três protagonistas brancos e uma negra. Após a divulgação da campanha a marca foi criticada por internautas que questinaram o fato da marca não convidar um rapper ou funkeiro para estrelar o lançamento, já que esses artistas constantemente aparecem em clipes com essas roupas.

Para tentar contornar a situação, a marca francesa entrou em contato com Kyan, uma das revelações do rap nacional, e com Nicole Balestro, CEO da gravadora Ceia Ent. Segundo Nicole informou a coluna Splash do UOL, as negociações com a Lacoste tiveram início no ano passado, e incluíam também o rapper Djonga, também da gravadora. Porém, sem mais explicações, a partir do dia 28 de outubro de 2020 a Lacose parou de responder os e-mails e não prosseguiu com as negociações.

Segundo Nicole, a marca francesa retomou o contato recentemente oferecendo um voucher para a compra de produtos da empresa, com o compromisso que Kyan falasse da Lacoste nas suas redes. “A repercussão foi péssima e a impressão é que eles acreditaram que o Kyan poderia atuar como bombeiro de um problema criado por eles, que não souberam trabalhar com a representatividade e com o tamanho do rap e do funk no Brasil. E não precisava ser o Kyan, poderia ser outro artista que representasse a cena na primeira campanha. Não é sobre quem está lá, é sobre quem não está“, explicou.

“Nós tratamos exatamente dessa campanha para a chegada da Lacoste Brasil no Instagram. Tratamos sobre valores envolvendo posts no feed e nos stories das redes sociais. Porém, em dado momento, as conversas pararam. Não houve uma negativa, eles apenas deixaram de responder. Fiquei surpresa ao ver as publicações”

declarou Nicole

As críticas dos internautas também questionaram se a Lacoste gostaria, de fato, de associar seu nome e seus produtos a artistas periféricos, embora as roupas sejam amplamente usadas por essas pessoas, como o rapper Kyan e o funkeiro MC Poze do Rodo.

Kyan explicou o porque negou o pagamento em roupas proposto pela marca francesa:

Claro que recusamos. Se eu quisesse roupa da Lacoste, eu comprava com meu dinheiro. Tenho condições para isso. Sou artista e, se eles querem fazer publicidade vinculada com meu nome e com o que represento, que eles paguem o que eu mereço.

Kyan

MC Dricka e MC Jottapê também foram procurados pela Lacoste após a repercussão negativa nas redes. Segundo Splash apurou, os contatos foram feitos através Mynd2Music, agência que auxilia na “ponte” entre músicos e marcas.

A remuneração para ambos os artistas também seria feita com produtos da Lacoste —caso diferente dos artistas envolvidos no trabalho inicial, o cantor Jão, o ator João Guilherme, a empresária Helena Bordon e a modelo Pretta Mesmo – a única de pele negra dentre os quatro. Segundo fontes ouvidas pelo Splash, eles receberam cachê em dinheiro.

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