Indústria transformadora cresce mais de 16% e amplia peso da economia não petrolífera em Angola

luanda-angola-foto-governo-de-angola.webp

O avanço da indústria transformadora tem reforçado o processo de diversificação económica de Angola. Dados divulgados pelo governo indicam que o sector acelerou ao longo de 2025 e passou a ocupar posição central na expansão da economia não petrolífera, com crescimento expressivo da produção industrial e maior transformação da produção agrícola nacional.

O ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira, afirmou a Forbes Lusófona que o desempenho recente confirma o fortalecimento da actividade industrial no país. Durante a abertura do VI Fórum Indústria, realizado em Luanda, o governante destacou que o sector vem ampliando sua participação na estrutura económica nacional, impulsionado principalmente pela indústria transformadora.

O subsector apresentou crescimento de 13,82% no terceiro trimestre e 16,46% no quarto trimestre de 2025, números que indicam recuperação da actividade produtiva e aumento da capacidade industrial.

O desempenho recente da indústria transformadora é apontado como indicador da estratégia angolana de reduzir a dependência do petróleo – Foto: Governo de Angola.

“Este desempenho tem um significado económico particularmente importante. O crescimento das indústrias alimentares traduz-se directamente numa maior capacidade do país para transformar a produção agrícola nacional, reduzir a dependência das importações e reforçar a segurança alimentar”, afirmou.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que o Índice de Produção Industrial registrou variação mensal de 5,25% em dezembro de 2025. Dentro do indicador, a indústria transformadora foi o segmento mais dinâmico, com expansão de 10,91% no período.

Rui Miguêns de Oliveira afirmou que a evolução homóloga do sector chegou a 96,57%, refletindo uma recuperação expressiva da produção industrial. Entre os segmentos com maior crescimento estão as indústrias alimentares, que avançaram mais de 135%, além dos sectores de bebidas e tabaco, também apontados como áreas de forte dinamismo.

“A industrialização não é um processo que se constrói de um dia para o outro. Trata-se de uma transformação estrutural profunda que exige visão estratégica, investimento, estabilidade macroeconómica e perseverança”, referiu.

O ministro defendeu a continuidade dos investimentos na produção nacional, a melhoria do ambiente de negócios e a ampliação da cooperação entre sector público e privado como fatores essenciais para consolidar o crescimento industrial.

“Se conseguirmos continuar a investir na produção nacional, reforçar o ambiente de negócios e aprofundar a parceria entre o sector público e o sector privado, Angola poderá construir uma base industrial cada vez mais sólida e competitiva”, concluiu.

O desempenho recente da indústria transformadora é apontado como indicador da estratégia angolana de reduzir a dependência do petróleo, ao ampliar o valor agregado da produção interna e diminuir a necessidade de importações.

Leia mais notícias por aqui: Ruanda ameaça retirar tropas de Cabo Delgado sem financiamento internacional

Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

Deixe uma resposta

scroll to top