Xuxa diz só ter paquita loira por ser um padrão de beleza na época: “só tinha o que as crianças queriam ver”

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Em entrevista ao Fantástico neste domingo (01), a apresentadora Xuxa falou sobre alguns temas polêmicos ao longo de sua carreira. A loira comentou sobre seu relacionamento com Pelé, o fato de ter apenas paquitas loiras e sobre o filme “Amor, estranho amor” (1982) , um longa ganhou a fama de pornográfico (apesar de ter sido liberado para maiores de 14 anos) onde a Rainha dos Baixinhos interpreta uma prostituta de 15 anos que se relaciona com um menino mais novo.

Quando questionada pela repórter Renata Ceribelle sobre o fato de não selecionar meninas morenas ou negras para serem paquitas, Xuxa disse não ter responsabilidade sobre isso:

“As paquitas estavam seguindo uma beleza que foi imposta naquele época, mas era uma coisa que eu não queria, mas como não dependia só de mim”, disse. “Quando elas viam com seus cabelos pretos lindos, ou castanhos, eu pedia muito para não mudassem a cor do cabelo, e elas acabavam fazendo isso porque elas viam que tinha mais espaço para as meninas loiras (…) Na época, a gente seguia o que a criança queria consumir. Antes de falar de paquita, tinha que falar das princesas, mas não tinha nenhuma princesa negra (…) Não é legal as pessoas botaram a culpa no meu colo, dizer a Xuxa só tinha paquita loira, não. A Xuxa só tinha o que as crianças queriam ver naquela época, o que era imposto para as crianças como uma coisa normal e natural”, diz a apresentadora.

Com 37 milhões de espectadores em seus filmes, 30 milhões de discos vendidos e 28 anos como apresentadora, a vida privada de Xuxa sempre esteve sob os holofotes da mídia. A loira comentou sobre seu relacionamento com Pelé e as ofensas racistas que ouviam:

“Quando comecei a namorar o Pelé, teve uma época em que as pessoas falavam assim, tinha até uma piada, que diziam: qual é a diferença entre a a Xuxa e o chuchu? Que a Xuxa era comida de preto rico e chuchu era comida de preto pobre”.

Quando questionada pela repórter sobre o que responderia hoje a estas pessoas, a loira focou apenas nela e ignorou o racismo sofrido pelo Rei do futebol:

“Engraçado, eu acho que eu não responderia. E a pessoa não teria nem a coragem de chegar perto de mim e falar uma coisa dessas. Eu olho pra essas pessoas com pena hoje em dia, mas naquela época eu tinha pena de mim”, disse Xuxa.

Sobre o filme onde se relaciona com um menino menor de idade a apresentadora disse:

“As pessoas levantam essa bandeira, dizendo: mas você transou com um garoto de 12 anos num filme. Então, vamos lá: eu não transei, aquilo é ficção, é ficção, senão, o Arnold Schwarzenegger deveria estar preso, porque matou um monte de gente nos filmes dele”, disse Xuxa, que por quase 30 anos conseguiu impedir judicialmente a exibição de “Amor, estranho amor” (desde 2018, segundo a assessoria da apresentadora, o filme está liberado).

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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