Universidade expulsa aluno com vitiligo, acusado de fraudar sistema de cotas

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A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) anulou as matrículas de quatro estudantes de medicina que ingressaram pelo sistema de cotas raciais. Segundo a instituição, nenhum deles “têm traços fenotípicos de pessoas negras ou pardas”. Entre eles, Gildásio Warllen dos Santos, 33, que tem o corpo despigmentado por causa do vitiligo, desde os 2 anos. Há algum tempo, ele conseguiu uma decisão temporária do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para manter sua matrícula até o Judiciário terminar de analisar sua situação. A UFSB recorreu.

Gildásio Warllen já recorreu ao TRF1 para continuar no curso, mas o judiciário deu ganho de causa à universidade – Foto: Arquivo Pessoal

Ainda de acordo com o comitê, o estudante, que já está em anos finais do curso, não tem direito a aproveitar disciplinas e qualquer certificado emitido pela UFSB, perde a validade. Santos, que afirma ser pardo, não quis comentar a decisão da UFSB, mas em reportagem do dia 18 de junho declarou à Folha de São Paulo, que a universidade atuava para destruir sua “identidade social, sonhos e futuro”.

Segundo a análise do comitê, “em que pese o seu vitiligo universal, do qual é portador, antes e depois da despigmentação, [Santos] não tem traços fenotipicamente negroides, como nariz e boca negroides. Além disso, sua pele anterior à despigmentação foi considerada branca. A boca do denunciado é fina e o nariz do denunciado não tem dorso largo nas narinas, além de outras características. De todos os denunciados, os traços do denunciado, mesmo antes de passar por uma despigmentação, sempre foram não negroides”, descreve o relatório da UFSB.

Leia também: USP investiga 193 fraudes no sistema de cotas raciais

Ainda de acordo com o comitê, a UFSB considera como traços fenotípicos de pessoas negras ou pardas a cor de pele escura, retinta, ou escurecida; o cabelo crespo; o nariz negroide, com dorso largo e narinas largas; e lábios grossos e carnudos. “Esses traços, utilizados para a heteroidentificação neste processo, são aqueles utilizados por racistas para reconhecer, humilhar e excluir a população negra brasileira”, afirma o relatório.

“Na maioria das vezes fica claro para a gente que os denunciados querem, em suas vicissitudes, ocupar um lugar de poder”, afirma
Gabriel Nascimento dos Santos, presidente do Comitê de Acompanhamento da Política de Cotas da UFSB.

Entre os anos de 2020 e 2021, foram averiguadas cerca de 60 denúncias, de acordo com o comitê da UFSB, segundo o qual a maioria dos estudantes envolvidos são de medicina. Além de Gildásio Warllen, também foram expulsos os alunos Luísa Acrux Gusmão, Letícia Lacerda de Oliveira, e Carina Oliveira de Carvalho.

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2 Comments

  • Roberto de Aquino Neves

    (15/07/2021 - 06:38)

    Perfeita a decisão da universidade. De início pelos termos usados (como “retornos”), pareceu que a própria Universidade zombava dos negros, mas no fim explica que os critérios e termos devem ser precisamente os usados pelos racistas para discriminar. PERFEITO

  • Roberto de Aquino Neves

    (15/07/2021 - 06:41)

    a merda do corretor trocou “retintos” por “retornos’

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