“Self made” é aula de black money e afroempreendedorismo; aprenda 7 lições com a Madam C. J. Walker

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Hoje em dia, é comum escutar em qualquer lugar do mundo as expressões “black money”, “comprar de preto” ou “afroempreendedorismo”, mas não era assim nos EUA das décadas de 1880 a 1910, quando a empreendedora Madam C. J. Walker fez fortuna e entrou para o Livro dos Recordes como a primeira mulher americana a se tornar milionária por conta própria. Sucesso na Netflix, a série Self Made, protagonizada por Octavia Spencer, retrata de forma bem correta a vida e o legado de uma mulher preta determinada. E não apenas isso: a história da Madam C. J. Walker é uma aula para quem quer aprender sobre black money e inspiração para quem quer começar seu próprio negócio.

Imagine desenvolver e comercializar uma linha de cosméticos e produtos para cabelos voltados exclusivamente para mulheres negras. Agora imagine fazer isso sendo mulher preta, sem estudos, no final do século XIX e início do século XX. Madam C. J. Walker abriu fábricas, montou uma linha de produção gigantesca, escalou e treinou mais de 20 mil mulheres na venda de sua linha de produtos. Ela empregou negros. Vendeu para negros e buscava fazer negócios com parceiros comerciais negros. Não sei o que chamavam isso à época, mas hoje se chama “Black money”.

Série sobre a vida de Madam CJ Walker é sucesso da Netflix (Foto: Reprodução)

Esse termo em inglês significa conectar empreendedores e consumidores negros, fazer o dinheiro circular nas mãos dos pretos. É dinheiro dos pretos e para os pretos. Só no Brasil, estima-se que o povo negro, que corresponde a 54% da população, movimente R$1,7 trilhão no ano. Somos 51% dos empreendedores. Esse dinheiro “evade” das nossas mãos justamente porque não temos a consciência de que ele precisa circular entre nós, para nossa própria sobrevivência. A senhora Walker, no século passado, já tinha essa consciência. Ela não acreditou apenas na valorização da autoestima da mulher preta, mas no potencial de consumo delas. 

Saiba mais: Black Money – o que falta para dar certo no Brasil?

Hoje, existem diversos hubs de inovação que conectam negros, iniciativas e projetos de empreendedorismo de impacto social voltados para o povo preto e para a favela. Quem deseja empreender e fortalecer o #ComprarPreto deve dar um Google e pesquisar as inciativas no Brasil e no mundo. O que não falta são negócios de pretos, para pretos!

Confira 7 dicas de empreendedorismo a partir da série da Netflix  

Mas a série da Netflix é muito mais. A história da Madam C. J. Walker nos inspira a arregaçar as mangas na busca pelos nossos sonhos e objetivos. Sarah Breedlove, nome original da senhora Walker, foi a primeira filha de sua família nascida em liberdade. Seus pais e seus irmãos foram escravizados. Sua coragem, sua determinação, seu foco e, principalmente, seu senso de oportunidade para os negócios são realmente inspiradores.

Abaixo, as principais lições empreendedoras aprendidas com a história da personagem de Octavia Spencer em Self made. Confira e inspire-se:

1 — Viva com determinação: a história da senhora Walker é a determinação por excelência. Após ser humilhada pela mulher que lhe ajudou a devolver a autoestima (Annie Malone), Sarah determinou para si própria que iria criar seu próprio elixir capilar. E criou. Depois, que iria vendê-lo para mulheres como ela. Vendeu. E depois, que iria expandir seus negócios. Expandiu. E assim, alcançou meta por meta.

CJ Walker é um exemplo de empreendedorismo negro (Foto: Divulgação/Netflix)

2 — Mantenha o foco: a série mostra que a vida pessoal da Madam C. J. Walker foi difícil e conturbada: filha de escravos, três casamentos, mãe solo e, ao final da vida, uma doença. Diante disso tudo, Sarah não parou. Quando seu marido, Charles Walker, que lhe emprestou o sobrenome, lhe traiu com uma de suas melhores representantes, ela simplesmente preferiu seguir sua vida sem ele. E lhe disse: “mande embora o que te destruiu”.

3 — Aperfeiçoe seu conhecimento na sua área de atuação: o primeiro elixir criado por Sarah não tinha a textura e o cheiro ideal. A Madam C. J. Walker estudou a fórmula da sua concorrente. Estudou também sobre finanças, sobre administração e sobre negócios. Ela não fez faculdade, como 99% das mulheres pretas do seu tempo. Buscou conhecimento a partir do que tinha. 

4 — Esteja atento às oportunidades: a série mostra que a Madam Walker se mudou várias vezes em busca de melhores oportunidades para o seu negócio. Para ela, seu produto deveria estar onde as mulheres negras estavam. Quando viu a chance de abrir a própria fábrica, não hesitou. E quando soube que poderia expandir sua marca vendendo em farmácias, só recuou a pedido das próprias funcionárias.

5 — Encontre o público e o discurso certos: ela sabia para quem deveria vender seus produtos, para mulheres como ela. Tinha um nicho, um recorte bem definido. Além disso, ela encontrou a melhor forma de vender, contando às mulheres sua própria história de superação. Construiu o discurso perfeito que cativou nas mulheres identificação e empatia. 

6 — Profissionalize o seu negócio: após vislumbrar o crescimento do seu negócio, Madam procurou logo o advogado negro recém-formado Freeman Briley Ransom. Também investiu em embalagens sofisticadas, dando às mulheres pretas a sensação de comprar um produto premium.

7 — Diversifique seus produtos e serviços: a linha de produtos de Walker incluía um xampu, pomada indicada para ajudar no crescimento do cabelo, escovação extenuante e aplicação de pentes de ferro. Ela também abriu escolas no ramo de beleza, além de salões pelos EUA. 

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Jersey Simon

Jornalista, especialista em Comunicação estratégica, empreendedor. Na luta por um Reino de Justiça e paz.

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