Salão de Beleza de BH cria campanha para pessoas que fizeram transição capilar

APOIE O NOTÍCIA PRETA

Será realizada até o final de janeiro de 2022 a campanha #compartilhesuahistoria com o intuito de dar voz a pessoas que nem sempre têm seu lugar de fala respeitados. Durante a campanha, as pessoas poderão compartilhar como foi o seu processo de transição, além dos desafios e alegrias de ter cabelos crespos e viver numa sociedade estruturalmente racista.

A iniciativa do salão Belezza Black e, na prática, a empresa convida as pessoas a fazerem um vídeo de, no máximo, um minuto, compartilhando sua história de crespas e cacheadas e marcando o Instagram do salão nos vídeos até o dia 20 de janeiro. Segundo a organização, uma comissão selecionará os seis vídeos mais impactantes e eles serão postados nas redes sociais da empresa até o dia 22 de janeiro. Em seguida, o público fará a escolha final, que se dará por meio dos stories da página oficial do salão. No dia 2 de fevereiro será escolhido o ganhador, que será contemplado com uma transformação completa em uma das duas unidades de Belo Horizonte do Salão Belezza Black.

Ilmara e seus filhos contaram suas histórias – Foto: Divulgação

De acordo com o proprietário da empresa, Cláudio Machado, a ideia surgiu quando algumas clientes disseram que somente naquele salão as pessoas ouviam sua vivência e opinião, antes de manusear o seu cabelo. “Não queremos apenas ser uma empresa do ramo de beleza, queremos dar voz e vez para pessoas que, muitas vezes, não tem seus desejos atendidos e reconhecidos, nem mesmo quando estão pagando por um serviço”, explica.

Leia também: Precisamos falar sobre a solidão da mulher negra

Ilmara e seus filhos são os primeiros a contarem suas histórias. Residentes no Aglomerado da Serra, zona Zul da capital mineira, local que muitas vezes é marginalizado pela sociedade, a família encontrou no Belezza Black, a esperança de ter suas vontades atendidas, sem qualquer tipo de preconceito. “Escolhemos essa família por representarem tudo o que o Belezza Black é! Somos resistência em um mundo que insiste em nos privar dos direitos básicos”, ressalta Cláudio Machado.

Laís Lima, gerente do Belezza Black, afirma que só conseguiu fazer a transição capilar após os 24 anos e foi nesse mesmo estabelecimento onde ela encontrou um lugar que ensinasse e incentivasse a sair do padrão do cabelo alisado e aceitar suas raízes. “No vídeo, elencamos a minha infância com a infância das meninas por que tanto eu quanto elas passamos por situações parecidas”, conclui.

APOIE O NOTÍCIA PRETA

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.