Livro conta história do Primeiro embaixador negro do Brasil

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Primeiro embaixador negro do Brasil, Raymundo Souza Dantas, tem sua história retratada em livro publicado esse ano pela Saga Editora.

Não é de hoje que o Brasil tenta esconder, a todo custo, o racismo que aflora a todo momento. Em 1960, o país tentava ser visto como uma democracia racial, então, as pessoas que eram contra a nomeação de Raymundo Souza Dantas, negro, nordestino, como embaixador tinham que ter uma outra “desculpa” que não fosse a cor da pele para impedir que ele assumisse o cargo. Então, adotaram o discurso que ele não era conhecido.

Raymundo Souza Dantas foi duramente questionado – Foto: Luiz Alberto Age

Em entrevista ao Globo, o escritor do livro, professor de história e Relações Internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Fábio Koifman, diz que Raymundo foi nomeado embaixador na mesma época que outros importantes nomes despontavam em outras áreas. “Souza Dantas foi nomeado embaixador na mesma leva que o escritor Rubem Braga e o pintor Cícero Dias, ambos também de fora da carreira diplomática. Mas nenhum deles foi tão pesadamente criticado como Raymundo, que era negro, pobre e de família nordestina desconhecida, tudo a que as elites, principalmente as do Rio de Janeiro, tinham horror”, conta Koifman.

Além de muito criticado, o primeiro embaixador negro teve histórias falsas criadas a seu respeito. Vários boatos foram inventados com o nome do Raymundo Souza Dantas desde que Gana tinha se sentido ofendida pela nomeação de um negro para ser embaixador do Brasil no país e que, por isso, seu agrémet estava demorando a ser liberado. Até que o presidente de Gana, Kwame Nkrumah, tinha o maltratado e feito esperar três meses para o receber.

O escritor afirma que durante suas pesquisas, conseguiu comprovar que o agrément de todos tinha demorado a chegar na época. “A do Rubem Braga, por exemplo, chegou muito depois da de Raymundo, e a do Cícero Dias nem sequer chegou, tanto que ele acabou nem indo para o Senegal“, afirma.

Negros na diplomacia brasileira

Ao O Globo, o Ministério das Relações Exteriores disse não saber o número de negros existente nos quadros, por não ter, na instituição, um levantamento para identificar a cor dos funcionários. Fábio Koifman, diz que durante suas pesquisas identificou somente mais um negro que chegou a ministro de primeira classe, que é o cargo mais alto da diplomacia.

Em 2002, foi lançado o Programa Ação Afirmativa (PAA), para proporcionar igualdade à carreira de diplomata. Segundo informações do ministério, 20 candidatos foram beneficiados com a bolsa do PAA e ingressaram no Instituto Rio Branco entre 2002 e 2014. Entre 2014 e 2020, 32 candidatos negros foram aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, dos quais 27 em vagas reservadas nos termos da Lei 12.990, e cinco por vagas destinadas à ampla concorrência. Isso significa que, de um total de 950 vagas oferecidas entre 2002 e 2020, apenas 5,4% foram preenchidas por pessoas declaradamente negras.

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Fernanda De Souza

Graduada em jornalismo pela Centro Universitário Uni-BH, com 7 anos de experiência com Monitoramento de Notícia (Clipping Eletrônico). Atuação na elaboração de análises quantitativas e qualitativas que atende as necessidades da assessoria de comunicação.Vivência com produção e reportagem para revista, na área cultural.

1 Comment

  • nivaldo bispo dos santos

    (11/08/2021 - 19:08)

    Esquecido está que o Brasil foi o PRIMEIRO pais a reconhecer a Indepencia de Angola, o que gerou protestos veementes dos EUA por parte de Kissinger.

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